Cores do Pantanal chegam ao Hospital Universitário com exposição permanente de Isaac de Oliveira

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(Foto: Divulgação)

Obras cedidas pela família do artista levam sensibilidade e conforto emocional a pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde

Os corredores do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HU-UFMS) passaram a contar com um novo elemento capaz de transformar a rotina hospitalar: a arte. Entre consultas, exames e atendimentos, pacientes e profissionais agora convivem com reproduções das obras do artista plástico Isaac de Oliveira, que levaram cores, paisagens e referências culturais de Mato Grosso do Sul para dentro da unidade de saúde.

As imagens foram cedidas pela viúva do artista, Selma Rodrigues, à Secretaria Especial de Comunicação Social (Seceu), em uma iniciativa que amplia o alcance do legado deixado por Isaac. A proposta é integrar arte e cuidado, proporcionando ambientes mais acolhedores e emocionalmente confortáveis para quem circula pelo hospital.

Um traço que traduz o Estado

Reconhecido como um dos principais nomes das artes visuais sul-mato-grossenses, Isaac de Oliveira construiu uma identidade artística marcada por cores vibrantes e composições intensas. Suas obras retratam o Pantanal, o cerrado, a fauna regional, os grandes céus e o cotidiano do homem pantaneiro, elementos que ajudaram a consolidar sua assinatura estética.

Agora expostas nas paredes do Humap, as reproduções criam pausas visuais em meio à rotina hospitalar. As imagens funcionam como pontos de acolhimento, oferecendo momentos de contemplação em um ambiente normalmente associado à ansiedade e à expectativa por tratamentos e diagnósticos.

Segundo a equipe do hospital, a presença da arte contribui para a humanização dos espaços, aproximando pacientes, acompanhantes e profissionais por meio de experiências sensoriais e afetivas.

Memória e significado afetivo

Para a chefe da Comunicação Social do Humap, Yara Ferro, a chegada das obras possui também um significado pessoal. Ela relembra a convivência com Isaac durante o período em que foi estagiária na agência de publicidade da qual o artista era sócio.

“Ele era um ser de luz, um verdadeiro artista. Onde passava, tudo ficava mais bonito e alegre. Tenho certeza de que suas obras fazem exatamente isso aqui dentro: deixam o hospital mais humano, sensível e acolhedor. Esse é o legado que ele deixa”, afirmou.

De acordo com Yara, a essência do artista ultrapassava as telas, marcada pela generosidade, criatividade e pela forma leve de enxergar o mundo — características que continuam presentes nas obras expostas.

Arte como parte do cuidado

A iniciativa reforça a proposta de humanização do atendimento hospitalar adotada pelo Humap-UFMS. A ideia é que o cuidado com a saúde também envolva o ambiente em que pacientes são atendidos, tornando-o mais próximo da cultura e da identidade regional.

Ao incorporar imagens que representam a natureza e a cultura sul-mato-grossense, o hospital busca fortalecer o sentimento de pertencimento e tornar o espaço mais acolhedor para a população.

Quem foi Isaac de Oliveira

Isaac de Oliveira nasceu em 1953, em Santo Anastácio (SP), mas construiu sua trajetória artística em Campo Grande (MS), onde se tornou referência nas artes visuais. Seu trabalho ganhou destaque pela representação expressiva do Pantanal e do cerrado, com cores intensas e linguagem própria, profundamente ligada à identidade cultural do Estado.

Além da pintura, também atuou nas áreas de comunicação e cenografia, ampliando sua atuação criativa em diferentes projetos. O artista morreu em 2019, deixando um legado reconhecido dentro e fora de Mato Grosso do Sul.

Hoje, suas obras seguem presentes não apenas em galerias e coleções, mas também nos corredores do Humap-UFMS — onde continuam cumprindo a missão que marcou sua trajetória: levar sensibilidade, beleza e emoção aos espaços e às pessoas.