A polícia está investigando o fornecimento de uma medicação para emagrecimento de uma criança de 11 anos. O caso foi registrado na cidade de Amambai nessa semana. A vítima precisou ser hospitalizada por conta dos efeitos colaterais.
Segundo a apuração, ela foi submetida à aplicação do Tirzepatida, popularmente chamado de Mounjaro. O medicamento injetável serve para diabetes tipo 2 e usado de forma off-label para obesidade.
A menina consumiu ao menos duas doses, ministradas pelo tio, de 38 anos, e pela avó materna, de 68. A investigação pontua que os familiares a pressionaram de forma psicológica, dizendo que estava gorda e feia, para convencê-la.
“Você está muito gorda, não pode ser a única gorda da família, eu perdi muito peso com o Mounjaro”, teria dito a avó para convencer a criança, segundo a versão relatada no boletim de ocorrência.
Os efeitos colaterais surgiram duas semanas depois da primeira dose. A criança teve a redução severa de apetite, tonturas, tremores, insônia, desidratação e até desmaio. Foi levada para o hospital, onde constatou perda de 5 kg.
O médico responsável pelo atendimento alertou que medicamentos desse tipo possuem indicação restrita e que o uso inadequado em crianças pode provocar consequências graves, como desidratação severa, alterações na pressão arterial e perda excessiva de peso
O caso foi levado para a polícia pela mãe dela, de 42 anos, ao buscá-la na casa da avó, em uma fazenda. Segundo consta, a criança reside com a avó, mas passa os finais de semana e feriados com a mãe.
Ao notar que tinha perdido muito peso de forma rápida, indagou os familiares e descobriu o uso da caneta emagrecedora comprada no Paraguai. Ela obteve medidas protetivas de urgência, impedindo o tio e a avó de se aproximarem ou manter contato com a filha.
A criança está passando por acompanhamento médico e psicólogo. O caso foi registrado como perigo para a vida ou saúde de outro na Delegacia de Polícia Civil e está sendo investigado.




















