De galinhas a precipícios, turistas enfrentam de tudo em viagens de ônibus

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25/01/2016 14h00

De galinhas a precipícios, turistas enfrentam de tudo em viagens de ônibus

UOL

Penhascos lá fora, galinhas lá dentro. Fazer uma viagem de ônibus pelo mundo pode render sufocos e aventuras inesquecíveis.

No Nepal, passageiros do superlotado transporte coletivo estradeiro viajam até no teto. Em Moçambique, para ir a uma das mais lindas praias do país, as pessoas dividem apertadas vans com animais e sacos de fertilizante. E, em algumas estradas da Bolívia, é melhor nem olhar para fora da janela.

Abaixo, conheça destinos que oferecem algumas das viagens mais emocionantes (para o bem e para o mal) do mundo.

La Paz – Yungas (Bolívia)

A emoção de fazer uma viagem entre a cidade de La Paz e o vale dos Yungas, na Bolívia, começa antes mesmo de o passageiro subir no ônibus. Não raro, os guichês que vendem as passagens para esta jornada exibem fitas negras de luto sobre suas janelas e portas. Acidentes no percurso entre os dois locais são comuns: La Paz está a quase 4.000 metros de altura. Já a altitude de muitas vilas dos Yungas, uma linda área verde recheada de rios e cachoeiras, não a chega a 1.500 metros sobre o nível do mar. Este descenso de mais de 2.000 metros é feito por ônibus precários e através de estradas estreitas situadas entre encostas de montanhas e precipícios. E as vias são de mão dupla: quando dois veículos se encontram, geralmente um deles têm que dar marcha a ré, tirando fina do abismo, até um local que ofereça espaço suficiente para desembaraçar o trânsito. No retorno a La Paz, espere dividir o ônibus com enormes sacolas de coca: o Yungas é um dos principais centros de cultivo da planta na Bolívia.

Maputo – Ponta d’Ouro (Moçambique)

Em Moçambique, fazer uma viagem estradeira é para os fortes. Muitos dos ônibus que cruzam o país são como este veículo da foto abaixo. E caso você queira ter uma experiência única, entre em um “chapa”, que é como são chamados os pequenos veículos de transporte coletivo que operam no país africano. Os “chapas” são, por exemplo, uma das opções para ir da capital Maputo até Ponta d’Ouro, uma das partes litorâneas mais lindas de Moçambique. Mas a viagem com tais veículos não é para qualquer um: “a jornada até Ponta d’Ouro é barra pesada”, diz o brasileiro Mike Weiss, que viveu em Maputo. “Divide-se o ‘chapa’ com galinhas, sacos de ração e fertilizantes. A viagem passa por um areal que só os motoristas conhecem e, no verão, a temperatura chega aos 40 graus”.

Ônibus no Nepal: interior superlotado e gente até no teto (Foto: Divulgação)

As estradas que conectam La Paz aos Yungas são assustadoras (Foto: Divulgação)