Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela após captura de Maduro

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Vice-presidenta da Venezuela Delcy Rodríguez (Foto: Prensa Presidencial)

Segundo jornal americano, posse ocorreu de forma secreta em Caracas; EUA dizem que vão administrar o país por tempo indeterminado

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, assumiu interinamente o comando do país neste sábado (3), segundo relato de fontes ouvidas pelo The New York Times, após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A cerimônia de posse teria ocorrido de forma reservada em Caracas, em meio à escalada de tensão entre os dois países.

De acordo com o jornal americano, a informação foi confirmada por dois interlocutores próximos ao governo venezuelano, que pediram anonimato por razões de segurança. Poucas horas depois da operação militar — descrita como realizada por terra, água e mar — o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington vai administrar a Venezuela por tempo indeterminado, até que seja organizada uma “transição adequada” de poder.

Em coletiva de imprensa, Trump classificou a ação como uma “operação extraordinária” e disse que as Forças Armadas americanas estão preparadas para lançar uma segunda ofensiva, se necessário. O presidente não detalhou como funcionaria a administração estrangeira no país, mas afirmou que a operação não terá custos extras para os Estados Unidos.

Após a suposta posse secreta, Delcy Rodríguez fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV. Em tom duro, ela acusou os EUA de invasão sob “falsos pretextos” e reiterou que Nicolás Maduro segue sendo o “único presidente legítimo” da Venezuela. A vice-presidente pediu a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e disse que o líder foi “sequestrado” por volta de 1h58 da madrugada.

“Jamais seremos colônia de qualquer império”, afirmou Delcy, ao anunciar que, por decreto assinado por Maduro antes da captura, todos os órgãos do Estado foram acionados para a defesa do território venezuelano. Segundo ela, o Conselho de Defesa da Nação se reuniu com a presença de autoridades do alto escalão, incluindo os ministros da Defesa e do Interior e a presidente do Tribunal Superior de Justiça.

Delcy também convocou a população a manter a calma e falou em união “policial-militar-popular” para enfrentar a ofensiva americana. A vice-presidente agradeceu manifestações de solidariedade internacional e alertou que a ação contra a Venezuela pode se repetir contra outros países.

A captura de Maduro provocou reações dentro e fora do país. Ativistas opositores comemoraram a prisão e a intervenção dos EUA. Já líderes regionais condenaram a ofensiva. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a ação como uma “afronta gravíssima”.

O episódio marca um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão militar americana na região ocorreu em 1989, no Panamá, quando Manuel Noriega foi capturado. Washington acusa Maduro de liderar um suposto cartel de drogas — alegação contestada por especialistas — e oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão. Críticos apontam interesses geopolíticos e o controle das vastas reservas de petróleo venezuelanas como pano de fundo da operação.