Deputado federal defende atuação da PM em conflito de terra no sul de MS

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Policiais na área ocupada pelos indígenas em Amambai (Foto: Aty Guasu/Reprodução)

Rodolfo Nogueira afirmou que forças de segurança agiram em defesa da legalidade em ocorrência com prisões e confronto

O episódio de invasão de uma propriedade rural em Amambai, no sul de Mato Grosso do Sul, ganhou repercussão política nesta sexta-feira (1º), após declarações do deputado federal Rodolfo Nogueira, que elogiou a atuação da Polícia Militar durante a ocorrência registrada na Fazenda Limoeiro, na região da Aldeia Limão Verde.

A operação policial aconteceu na noite de 25 de abril de 2026 e envolveu equipes da Força Tática da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, após cerca de 20 pessoas ocuparem a propriedade rural. A ação terminou com prisões, danos materiais e reforço de policiamento na região.

Em manifestação pública, o parlamentar — conhecido no meio político pelo alinhamento ao setor produtivo rural e apelidado de “o terror do MST” por apoiadores — destacou a atuação dos policiais. “Nossos heróis de farda merecem respeito. Mais uma vez, demonstraram preparo e compromisso na defesa da legalidade e da propriedade”, afirmou.

Rodolfo Nogueira também reforçou posição contrária a invasões de terra e afirmou que seguirá acompanhando casos semelhantes no Estado. Segundo ele, ações firmes das forças de segurança são essenciais para garantir segurança jurídica no campo e evitar a escalada de conflitos fundiários.

Veja vídeo:

Ação policial e versões do caso

De acordo com a Polícia Militar, os invasores entraram na Fazenda Limoeiro por volta das 23h20, obrigando uma família a deixar a residência durante a madrugada. Ainda segundo a corporação, após a ocupação, houve depredação do imóvel, com destruição de móveis e danos à estrutura da casa.

A PM informou também que veículos e máquinas agrícolas teriam sido danificados e que houve tentativa de incêndio no local. Objetos como eletrônicos e joias teriam sido encontrados separados e embalados, o que levantou suspeita de possível furto.

Durante a ocorrência, três pessoas foram presas ao tentarem bloquear o acesso à propriedade e à aldeia utilizando objetos como madeira e placas de sinalização. Outras duas prisões ocorreram ao longo da ação, totalizando cinco detidos encaminhados à delegacia. A Polícia Militar afirmou que o policiamento segue reforçado na região.

O caso foi repassado à Polícia Civil, que investiga a invasão, os danos ao patrimônio e a identificação dos envolvidos.

Versão de indígenas e tensão no local

Indígenas da região afirmam que a ocupação da área se trata de uma retomada de território tradicional e relatam que a ação teria como objetivo reivindicar direitos históricos e condições de vida mais dignas.

Em vídeos divulgados, integrantes da comunidade aparecem afirmando que buscam a reconquista de terras ancestrais. Lideranças também alegam que, em uma segunda etapa da operação, houve entrada de agentes na aldeia sem apresentação de ordem judicial, o que classificam como ação de despejo.

Em nota, a Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani afirmou que houve violação de direitos e denunciou o que considera atuação violenta das forças de segurança em territórios indígenas.

Ministério acompanha o caso

O Ministério dos Povos Indígenas informou que acompanha a situação no cone sul de Mato Grosso do Sul e que enviará equipe à região para ouvir os envolvidos e levantar informações sobre o conflito.

Segundo a pasta, há preocupação com a escalada de tensões e com relatos de possíveis excessos durante as ações policiais. O órgão também afirmou que busca esclarecimentos junto a autoridades estaduais e avalia medidas de acompanhamento do caso.

O episódio segue sob investigação e é tratado como um conflito envolvendo disputa de terra, segurança pública e reivindicações de comunidades indígenas na região de Amambai.