Dia Nacional reforça debate sobre respeito religioso e combate ao racismo em MS

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Momento é de reflexão e conscientização acerca do racismo religioso, que se manifesta de diferentes formas no cotidiano, desde agressões diretas até impedimentos simbólicos e sociais. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)

Programação inclui encontro em terreiro e ações do MS Sem Racismo

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, lembrado nesta quarta-feira (21), vai além do calendário oficial: a data provoca uma pausa necessária para refletir sobre o respeito à diversidade de crenças e a garantia da liberdade religiosa, direitos assegurados pela Constituição. O dia também marca a memória de Mãe Gilda de Ogum, ialorixá baiana que se tornou símbolo da luta contra o racismo religioso no Brasil após morrer em decorrência de sucessivos ataques ao seu terreiro.

Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado da Cidadania atua no enfrentamento às violações de direitos motivadas por discriminação religiosa, com foco especial nas religiões de matriz africana, historicamente alvo de estigmatização, violência simbólica e institucional.

Segundo o subsecretário de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, Deividson Silva, o 21 de janeiro carrega um significado profundo para o país e para a formulação de políticas públicas. “Essa data nos leva a refletir sobre como as religiões de matriz africana e os povos de terreiro ainda são tratados, muitas vezes marcados por estereótipos, preconceitos e discriminações. É um momento de memória, mas também de conscientização”, afirmou.

De acordo com o subsecretário, o racismo religioso se manifesta de diferentes formas no cotidiano, desde agressões diretas até impedimentos simbólicos e sociais. “Essas populações ainda enfrentam restrições para usar seus adornos, expressar sua fé livremente e ter suas práticas reconhecidas com respeito. Mesmo em um país laico, essas religiões seguem sendo perseguidas”, destacou.

Programa MS Sem Racismo

Uma das principais estratégias do Governo do Estado para enfrentar esse cenário é o programa MS Sem Racismo, lançado em 2025. A iniciativa é permanente e intersetorial, com ações voltadas ao combate ao racismo estrutural e institucional e à garantia de direitos das populações negras, indígenas, povos e comunidades de terreiro e outros grupos historicamente discriminados.

“O programa fortalece a defesa da liberdade de culto e atua em dois pilares centrais: a criação de protocolos antidiscriminatórios no atendimento público e a ampliação do acesso a direitos e oportunidades”, explicou Deividson. Segundo ele, a falta de preparo institucional ainda contribui para a reprodução de falas e práticas discriminatórias.

O objetivo, conforme o subsecretário, é avançar para além do enfrentamento simbólico. “O Estado assume a responsabilidade de padronizar procedimentos, combater estereótipos e promover inclusão produtiva e empreendedorismo, para romper ciclos de vulnerabilidade social e econômica gerados pelo preconceito”, afirmou.

Programação em Campo Grande

Como parte das ações alusivas à data, a Secretaria de Estado da Cidadania promove, nesta terça-feira (21), uma roda de conversa com o tema “A mão que cura é a mesma que resiste: um diálogo de respeito e liberdade religiosa no enfrentamento à intolerância”. O encontro será realizado no terreiro Sanzala, no Jardim Nhanhá, em Campo Grande.

Participam do debate a subsecretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, que abordará a liderança feminina nos terreiros; a subsecretária de Políticas Públicas para as Pessoas Idosas, Larissa Diniz Paraguaçu, que falará sobre o papel dos mais velhos na transmissão dos saberes; a subsecretária de Políticas Públicas para a População LGBTQIA+, Mikaella Lima, que destacará o acolhimento dessa população nos terreiros; e o subsecretário Deividson Silva, que apresentará os avanços do programa MS Sem Racismo.

A roda de conversa acontece às 19h, na Rua Floriano Paula Correa, nº 831.