Do pulso ao patrimônio: relógios raros ganham espaço como investimento de alto valor

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Essas peças se tornaram obsessões por passarem pelos pulsos de personalidades que as eternizaram (Foto: Reprodução/Instagram/@patekcloks)

Modelos históricos associados a famosos podem multiplicar preço após saírem de produção

Enquanto celulares mostram as horas em frações de segundo e a rotina global acelera cada vez mais, um grupo seleto de pessoas segue na contramão: prefere carregar o tempo no pulso — e pagar milhões por isso. No universo da alta relojoaria, relógios deixaram de ser apenas instrumentos funcionais para se transformar em símbolos de status, tradição e investimento.

Relógios de luxo combinam engenharia precisa, tradição centenária e exclusividade extrema. Mais do que acessórios, são peças produzidas em quantidades limitadas, muitas vezes inacessíveis até mesmo para quem possui alto poder aquisitivo. Em alguns casos, adquirir um modelo exige anos de relacionamento com a marca, histórico de compras e longas listas de espera.

Esse caráter raro ajudou a transformar os relógios em objetos de desejo entre celebridades, empresários e colecionadores ao redor do mundo — e também em itens históricos quando associados a grandes personalidades.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o ator Paul Newman, que eternizou o modelo Daytona da Rolex. O relógio usado por ele foi leiloado por mais de US$ 17 milhões, tornando-se um dos exemplares mais caros já vendidos da marca.

Entre nomes contemporâneos, o rapper e empresário Jay-Z é conhecido pela coleção de peças raras, incluindo modelos da Patek Philippe, considerada por especialistas como referência máxima da relojoaria suíça.

No esporte, o craque português Cristiano Ronaldo também chama atenção com relógios exuberantes, como modelos da Jacob & Co., frequentemente avaliados em valores superiores a um milhão de dólares.

Valor além dos materiais

Especialistas apontam que o preço dessas peças raramente está ligado apenas a ouro, diamantes ou metais preciosos. O verdadeiro valor está na escassez, na história da marca e no simbolismo que o relógio representa.

Nos últimos anos, esse mercado ganhou ainda uma nova dimensão: a de investimento. Modelos raros passaram a valorizar rapidamente, em alguns casos superando o desempenho de ações ou obras de arte.

Um exemplo clássico é o Nautilus da Patek Philippe. Após o anúncio do fim da produção de uma de suas versões mais icônicas, o modelo disparou no mercado secundário, chegando a custar várias vezes o preço original.

Esse fenômeno criou um novo perfil de comprador: além do apaixonado por relojoaria, surge o investidor que vê nos relógios uma forma sofisticada de diversificar patrimônio.

Luxo também nas histórias pessoais

O fascínio por relógios exclusivos também aparece em momentos pessoais de celebridades. Recentemente, a tenista número 1 do mundo Aryna Sabalenka anunciou o noivado com o empresário brasileiro Georgios Frangulis, e as imagens do pedido ganharam repercussão internacional.

Além do anel, os relógios usados pelo casal chamaram atenção de fãs e colecionadores, especialmente modelos da Audemars Piguet, marca associada à alta relojoaria e à exclusividade entre atletas e empresários.

Tempo, status e pertencimento

No fim das contas, todos vivem sob as mesmas 24 horas. Mas, no universo do luxo, o tempo ganha outro significado. Um relógio pode representar tradição, poder, paixão e até estratégia financeira.

Talvez seja justamente essa mistura de história, raridade e desejo que mantém essas pequenas máquinas fascinando gerações. Porque, para alguns, o tempo não é apenas algo que passa — é algo que se coleciona.

E a pergunta que permanece é inevitável: ao comprar um relógio milionário, está-se adquirindo apenas um objeto… ou um símbolo de pertencimento a um círculo quase inacessível?