ANTT afirma que sistema identifica veículos em qualquer direção e condutor pode levar até 7 pontos na CNH
Eles entram na contramão, passam sob o pórtico e acreditam ter enganado o sistema. O vídeo viraliza, acumula curtidas e comentários. Mas, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a suposta “falha” no pedágio eletrônico é um mito — e pode custar caro para quem tenta colocá-lo em prática.
Circulam nas redes sociais gravações que sugerem que motoristas conseguem evitar a cobrança do pedágio eletrônico, conhecido como free flow, ao trafegar no sentido contrário sob os pórticos. A ANTT esclarece que a informação é falsa: o sistema identifica os veículos independentemente da direção em que estejam trafegando, e a tarifa é registrada normalmente.
A desinformação indica que os equipamentos não fariam a leitura da placa caso o carro passasse na contramão. Na prática, a tecnologia foi desenvolvida justamente para captar placas, número de eixos e características dos veículos em qualquer sentido da via. Ou seja, não há brecha técnica a ser explorada.
Multa e pontos na CNH
Além de não escapar da cobrança, o motorista que dirige na contramão comete infração prevista no artigo 186 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
As penalidades variam conforme o tipo de via:
- Via de mão dupla: infração grave, 5 pontos na CNH e multa de R$ 195,23.
- Via de sentido único: infração gravíssima, 7 pontos e multa de R$ 293,47.
Receber sete pontos de uma só vez pode acelerar o alcance do limite de pontuação da carteira, que varia de 20 a 40 pontos conforme o histórico do condutor, aumentando o risco de suspensão do direito de dirigir.
Pode virar caso de polícia
A conduta também pode ser enquadrada como direção perigosa, especialmente se houver risco imediato à vida de outras pessoas ou intenção de exibição. Nesses casos, a penalidade pode ser agravada, com possibilidade de multiplicação da multa e suspensão direta da CNH.
Há ainda consequências civis e criminais. Em caso de acidente, o motorista que trafega na contramão tende a ser responsabilizado pelos danos. Se houver vítimas, podem ser configurados crimes de trânsito.
De acordo com a Superintendência de Infraestrutura Rodoviária da ANTT, vídeos que incentivam fraude ao pedágio eletrônico estão sendo encaminhados à Polícia Rodoviária Federal (PRF), e os envolvidos podem ser investigados por condutas como atentado à segurança viária ou tentativa de fraude.
A agência reforça que compartilhar conteúdos falsos não é apenas um problema informativo — pode estimular comportamentos ilegais e perigosos. No fim, a promessa de economia vendida em vídeos virais pode resultar em multa, pontos na carteira e risco à vida.




















