Ebola faz federação buscar sede alternativa para Copa Africana

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18/10/2014 08h00

Ebola faz federação buscar sede alternativa para Copa Africana

BBC Brasil

A Confederação Africana de Futebol (CAF) contatou Gana e África do Sul em consultas para encontrar uma nova sede para a Copa Africana de Nações – campeonato entre as seleções africanas realizado de dois em dois anos -, marcada para começar no dia 17 de janeiro.

Na última semana, o Marrocos – país-sede da competição até então – pediu à federação para adiar o torneio por medo da epidemia do ebola se espalhar ainda mais no continente africano.

“A CAF escreveu para nós dando indícios de que o Marrocos tinha dado fortes sinais de que não seria mais sede do torneio se a federação não mudasse a data”; disse o Ministro do Esporte de Gana, Mahama Ayariga.

A África do Sul também recebeu uma carta semelhante, vista pela BBC Sport.

Enquanto isso, a CAF divulgou um comunicado dizendo que não faria mudanças no calendário da Copa Africana de Nações de 2015 por enquanto e que discutiria o pedido do Ministro da Saúde do Marrocos em uma reunião no dia 2 de novembro antes do encontro com representantes do Marrocos no dia seguinte.

Em entrevista à rádio ganense Citi FM, o Ministro do Esporte de Gana acrescentou: “A CAF também indicou que se manteria firme nas datas do torneio, mas que eles iriam tomar uma decisão na reunião com os representantes do Marrocos.”

“Mas ao mesmo tempo eles estão escrevendo para alguns países que eles acham ter capacidade de ser uma ‘sede alternativa’, caso o Marrocos realmente caia fora”, prosseguiu.

Preocupação

Embora o Ministro do Esporte do Marrocos, Mohamed Ouzzine, tenha dito na quinta-feira que seu país não deixaria de ser sede, ele próprio reiterou que o país irá seguir a determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não recomenda grandes aglomerações de pessoas nessa luta contra a epidemia do ebola.

“Nossa preocupação está com a saúde da África e é baseada nos relatórios e orientações da OMS, temos que ouvi-los”, disse Ouzzine.

“Não é que não existe nenhuma segurança, mas alguém tem que tomar as precauções necessários para que o torneio que vem seja uma festa do futebol, unindo os irmãos africanos. Mas dada a atual conjuntura do ebola, nós não achamos que uma festa dessas pode acontecer como esperado”, completou.

“Nós estamos falando sobre a Copa Africana de Nações, onde esperamos algo entre 200 mil e 400 mil ou até 1 milhão de espectadores para virem ao Marrocos”, afirmou, já alertando para a dificuldade em controlar o vírus nessas circunstâncias.

“Não acho que exista governo ou país que tenha a capacidade necessária para monitorar, checar e controlar a situação atual do ebola em um fluxo tão grande de pessoas.”

“Esse é o nosso problema real. Não temos problema com as seleções visitantes, temos problemas com os turistas visitantes.”

Ouzzine acredita que a situação é crítica e exige que seja tomada uma decisão por questões humanitárias, não financeiras.

“Se há qualquer medo com relação a perdas financeiras, nós sempre podemos achar soluções – mas hoje não é o dia para discutir isso”, discursou.

“Vamos discutir essas coisas quando nos encontrarmos com a CAF. Mas eu imploro a vocês, qual é a relevância dessas perdas financeiras quando comparadas com vidas perdidas? Um ser humano não tem preço”, finalizou.

A epidemia do ebola atinge principalmente o oeste do continente africano – em particular Serra Leoa, Libéria e Guiné, mas também foram detectados casos em Nigéria e Senegal – e já matou pelo menos 4,5 mil pessoas.

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