Especialistas preveem fim da bandeira verde a partir de abril e maior uso da vermelha
A conta de luz pode voltar a pesar no bolso dos brasileiros a partir do segundo trimestre. A possibilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, somada a chuvas abaixo da média no período úmido, acendeu o alerta no setor elétrico para um maior acionamento de bandeiras tarifárias mais caras ao longo de 2026.
Atualmente, a bandeira tarifária está verde em fevereiro, sem cobrança adicional na fatura. O cenário é considerado típico desta época do ano, quando as chuvas ajudam a recompor os reservatórios das hidrelétricas. Pelas regras do sistema, a cobrança extra só ocorre quando há risco hidrológico elevado e preços muito altos no mercado de curto prazo, o que não é o caso no momento.
Esse quadro, no entanto, tende a mudar a partir de abril, com o fim do período chuvoso. Especialistas do setor apontam que, já nesse mês, a bandeira pode passar para amarela, o que representaria um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
O especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, afirma que o acionamento da bandeira amarela em abril é uma possibilidade real. Segundo ele, a definição ficará mais clara na segunda metade de fevereiro, com a consolidação das chuvas previstas e a atualização dos dados sobre o nível dos reservatórios. “Passando fevereiro, fica difícil que o viés mude muito”, avalia, citando a tendência de preços mais altos no período seco.
Para 2026, a expectativa do mercado é de uma presença mais frequente da bandeira vermelha em comparação com 2025. No patamar 1, a cobrança extra é de R$ 4,463 a cada 100 kWh; no patamar 2, o valor sobe para R$ 7,877. “A dúvida é quantos meses teremos de bandeira vermelha patamar 2 e quando começa a amarela”, diz Machado.
Previsões divergentes
A Ampere Consultoria projeta, no momento, manutenção da bandeira verde até abril, cenário considerado um pouco mais favorável após uma leve melhora nas previsões de chuva no fim do período úmido. Ainda assim, o sócio da empresa, Guilherme Ramalho de Oliveira, alerta que a bandeira amarela não pode ser descartada, já que simulações mais conservadoras indicam cobrança adicional no quarto mês do ano.
Já a Armor Energia prevê bandeira amarela em maio e avanço para a vermelha a partir de junho, com retorno à amarela apenas entre novembro e dezembro. Para o diretor de Comercialização da empresa, Fred Menezes, um eventual El Niño pode dificultar a volta à bandeira verde no fim do ano.
A Envol Consultoria também vê maior chance de bandeira amarela a partir de maio, com bandeira vermelha a partir de julho e possibilidade de patamar 2 até setembro. A expectativa é de alívio apenas nos dois últimos meses do ano.
Segundo o especialista da Envol, Vinícius David, o El Niño não tem impacto direto previsível sobre as chuvas nas regiões que abastecem os principais reservatórios do país. “Mas ele tende a elevar as temperaturas, o que aumenta o consumo de energia e pressiona os preços”, explica.
*com informações Estadão Conteúdo



















