Eleições 2026: economia sobe ao centro da disputa presidencial

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Inflação, renda e endividamento influenciam popularidade de Lula e crescimento de Flávio Bolsonaro

A corrida presidencial de 2026 se aproxima com um tema claro no centro do debate: o bolso do eleitor. Levantamentos recentes indicam que a percepção sobre inflação, renda e endividamento está influenciando a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas.

Três fatores se destacam nesse cenário. O primeiro é o aumento de notícias negativas sobre o governo, que elevaram a corrupção ao segundo lugar entre as maiores preocupações da população, atrás apenas da violência. O segundo envolve a percepção econômica: apesar de indicadores oficiais mostrarem quadro menos crítico que em março de 2025, a tendência piorou desde dezembro. Por fim, a nova tabela do Imposto de Renda não gerou impacto relevante na avaliação do governo, beneficiando apenas 1% da população brasileira.

Para o analista Bruno Soler, do instituto Real Time Big Data, a economia historicamente é o fator central em eleições presidenciais no Brasil. “Os momentos de virada costumam ocorrer quando a economia não vai bem. A percepção das pessoas sobre poder de compra e endividamento pesa mais que números macroeconômicos positivos”, explica. Atualmente, cerca de 80 milhões de brasileiros — metade da população adulta — estão com dívidas, segundo dados do Serasa.

O cientista político Magno Karl, diretor executivo da organização Livres, reforça que a percepção popular nem sempre acompanha indicadores econômicos oficiais. Inflação de alimentos, renda insuficiente e custo de vida elevado são sentidos diretamente pelo eleitor, influenciando decisões de voto, mesmo que o governo apresente cenários de crescimento ou pleno emprego.

Na prática, a eleição deve seguir uma dinâmica tradicional: o governo tentará destacar números econômicos positivos, enquanto a oposição explorará a percepção do público sobre o aumento do custo de vida e a sensação de aperto financeiro. Como lembra a máxima do estrategista James Carville na campanha de Bill Clinton em 1992, “É a economia” — ou seja, a situação financeira das famílias tende a definir os resultados eleitorais.