Em barcos, escolas e hospitais, MS amplia emissão da nova Carteira de Identidade

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Mutirões levam nova identidade a comunidades isoladas e ampliam acesso à cidadania em MS (Foto: PCi-MS)

Ações itinerantes já emitiram mais de 10 mil documentos em 2025 para ribeirinhos, indígenas, quilombolas e pessoas em situação de vulnerabilidade

Mato Grosso do Sul tem ampliado o acesso à identidade civil ao levar a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) a locais onde o documento, por muito tempo, não chegava. Em barcos, escolas, centros comunitários e até dentro de casas e hospitais, equipes do Estado percorrem diferentes regiões para garantir que o direito básico à identificação se transforme, na prática, em cidadania.

As ações fazem parte da política estadual de identificação civil, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e executada pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, por meio do Instituto de Identificação Gonçalo Pereira. A iniciativa integra o Contrato de Gestão entre a Sejusp e o Governo do Estado e está alinhada à diretriz de um governo inclusivo.

Somente em 2025, o Instituto de Identificação realizou mais de 130 ações itinerantes em várias regiões sul-mato-grossenses. Os mutirões resultaram na emissão de mais de 10 mil documentos e atenderam populações ribeirinhas, quilombolas, indígenas, comunidades rurais e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Para quem atua diretamente nos atendimentos, o trabalho vai além da parte técnica. “No mutirão, o atendimento é intenso, mas também muito próximo das pessoas. A gente escuta, entende a realidade de cada lugar e organiza o atendimento para que ninguém fique sem o documento”, relata a perita papiloscopista Ana Lacerda, que participa com frequência das ações itinerantes.

Os atendimentos são organizados de acordo com a demanda apresentada pelos municípios e envolvem o deslocamento de equipes especializadas para a coleta biométrica e orientação sobre o novo modelo da identidade. Em muitas localidades, as ações ocorrem de forma integrada com outros órgãos estaduais, municipais e federais, reunindo diferentes serviços públicos em um mesmo espaço.

“Quando ampliamos a emissão da identidade, ampliamos também o acesso do cidadão a políticas públicas essenciais”, afirma o diretor do Instituto de Identificação, Daniel Ferreira Freitas.

Além dos mutirões, a política de identificação civil conta com uma estrutura permanente de atendimento. Atualmente, Mato Grosso do Sul possui 93 postos de identificação em funcionamento. Apenas em 2025, foram confeccionadas 342.170 Carteiras de Identidade Nacional. Desde janeiro de 2024, quando teve início a emissão do novo modelo, o total já chega a 651.247 documentos emitidos no Estado.

O atendimento humanizado também é parte central da política. O Instituto realiza ações pontuais voltadas a pessoas com dificuldade de locomoção, com atendimentos feitos diretamente em residências, hospitais ou instituições de acolhimento, mediante solicitação ao posto de identificação mais próximo. Em uma dessas ações, o perito papiloscopista Rodrigo Rosa, de Nova Andradina, destacou o aspecto social do trabalho. “Servir à população é mais do que um dever: é um compromisso humano. A experiência de ter sido criado pela minha avó me fez compreender as dificuldades que muitos idosos enfrentam no acesso aos serviços públicos”, disse.

A emissão da CIN também contempla pessoas com deficiência. Desde a implantação do novo modelo, já foram emitidas 3.931 carteiras com o símbolo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras 5.469 para pessoas com diferentes tipos de deficiência, garantindo reconhecimento e prioridade no acesso a serviços.

O atendimento ocorre ainda em contextos institucionais específicos, como no sistema prisional. A estimativa é de cerca de 1.000 emissões ao longo de 2025, contribuindo para a regularização documental e a atualização dos dados civis de pessoas privadas de liberdade.