Em MS, novo RG avança lentamente e chega a só 23% da população

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Apenas 23% dos sul-mato-grossenses emitiram a Carteira Nacional de Identificação, segundo o Ministério da Justiça

Documento que unifica CPF e RG é válido em todo o país e antigo modelo segue aceito até 2032

Dois anos depois de chegar a Mato Grosso do Sul, o novo RG ainda não virou rotina no bolso da maioria dos moradores do estado. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que menos de um quarto da população sul-mato-grossense já emitiu a Carteira Nacional de Identificação (CIN), documento que unifica o número do CPF e promete mais segurança contra fraudes.

Lançada oficialmente em 11 de janeiro de 2024 em MS, a CIN substitui o antigo Registro Geral e reúne, em um único documento, identificação válida em todo o país. Mesmo com as vantagens, apenas cerca de 639 mil pessoas fizeram a nova carteira no estado — o equivalente a 23,18% dos 2,75 milhões de habitantes, segundo o IBGE. No ranking nacional, Mato Grosso do Sul ocupa a 17ª posição proporcional entre emissões e população.

Em todo o Brasil, aproximadamente 44 milhões de pessoas já emitiram a CIN. O Piauí lidera a adesão, com mais da metade da população documentada, enquanto o Pará aparece na última colocação, com cerca de 2%.

Um dos principais fatores que explicam a baixa procura em MS é a validade do RG antigo, que segue aceito até 2032. Com isso, muitos cidadãos adiam a troca. A nova carteira, porém, traz regras próprias de validade: cinco anos para crianças de até 12 anos, períodos intermediários para adultos e prazo indeterminado para pessoas acima de 60 anos.

Além do CPF como número único, a CIN inclui itens de segurança como o código MRZ, usado em passaportes, e versão digital disponível nos sistemas do governo federal. O documento também pode reunir informações complementares, como tipo sanguíneo, dados de saúde, número da carteira de trabalho, PIS e Pasep.

Mesmo com a adesão abaixo do esperado, o ritmo de emissões em Mato Grosso do Sul vem crescendo. Só em janeiro de 2026, foram quase 28 mil documentos emitidos, e o estado caminha para bater o recorde mensal, hoje registrado em outubro de 2024, com pouco mais de 32,8 mil CINs.

Para ampliar o acesso, o estado investiu na expansão da rede de atendimento. Atualmente, são 93 postos de identificação em funcionamento — quatro a mais do que em 2024. Novas unidades foram abertas em Campo Grande, Corumbá e Santa Rita do Rio Pardo, e há previsão de ampliação em Três Lagoas e Dourados ainda neste ano.

Parte dessa estrutura funciona integrada ao Detran-MS, modelo que busca reduzir deslocamentos e aumentar a oferta de serviços. Com isso, o número de agendamentos diários cresceu em cerca de 300 vagas em relação ao ano passado. Hoje, mais de 2,5 mil atendimentos por dia estão disponíveis em todo o estado.

O agendamento para emissão da CIN é feito exclusivamente pela internet, no site da Secretaria de Justiça e Segurança Pública. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e, em algumas unidades, também aos sábados. É necessário que o CPF esteja regularizado e que os dados pessoais coincidam com a certidão apresentada.

Para 2026, o planejamento inclui novas unidades, mutirões em áreas rurais e comunidades indígenas, estações de atendimento em presídios e um projeto piloto de identificação neonatal. Segundo a Polícia Científica, a ampliação do acesso à documentação civil tem impacto direto na inclusão social.

“A identidade é a porta de entrada para o exercício da cidadania. Quando o Estado amplia esse acesso, garante que as pessoas possam estudar, trabalhar e acessar políticas públicas com dignidade e segurança”, afirma o coordenador-geral de Perícias, José de Anchiêta Souza Silva.