Em rota vital do petróleo, Irã fará exercícios navais com munição real

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Ilustrativa (Foto: IA)

Estreito de Ormuz concentra exportações do Golfo e preocupa mercado internacional

Enquanto navios cruzam diariamente uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta, o Irã prepara um recado militar. As forças navais da Guarda Revolucionária iraniana devem realizar neste domingo (1º) exercícios militares com munição real no Estreito de Ormuz, segundo a mídia local, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos.

O estreito é considerado a principal via de escoamento de petróleo do mundo e liga grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Qualquer instabilidade na região pode impactar diretamente o mercado global de energia.

A mobilização militar ocorre dias após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de um ataque contra o Irã. Em publicações recentes, o líder americano voltou a pressionar Teerã a negociar um novo acordo nuclear, classificando a proposta como necessária para evitar uma escalada militar.

Em uma das mensagens, Trump afirmou que “o tempo está se esgotando” e disse que, caso não haja avanço nas negociações, um eventual novo ataque seria “muito pior” do que os bombardeios realizados no ano passado contra instalações nucleares iranianas.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln já chegou ao Oriente Médio e às regiões Oeste e Centro da Ásia. Trump declarou que uma “grande frota” foi enviada à área, incluindo caças F-35, como forma de demonstrar poder militar.

Do lado iraniano, o discurso mistura cautela diplomática e firmeza militar. No sábado (31), o alto funcionário de segurança Ali Larijani afirmou que há avanços na construção de uma estrutura para negociações com Washington, apesar do que chamou de “guerra midiática artificial”.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, rejeitou qualquer diálogo sob ameaça. Segundo ele, conversas só poderão ocorrer se os Estados Unidos abandonarem pressões e exigências. Araghchi também alertou que as Forças Armadas iranianas estão prontas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão ao território, espaço aéreo ou águas do país.

A escalada recente da tensão entre Irã e Estados Unidos teve início após protestos antigovernamentais no Irã, motivados pela alta inflação e pela crise econômica. As manifestações foram duramente reprimidas, segundo organizações de direitos humanos, e provocaram reações internacionais.

Durante esse período, o governo iraniano impôs restrições à internet, e grupos independentes afirmam que milhares de manifestantes morreram. Trump chegou a declarar que reagiria “com força total” caso a repressão se intensificasse.

Para autoridades iranianas, no entanto, a pressão externa pode levar a um conflito maior. Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria interpretado como “o início de uma guerra”.

Com exercícios militares previstos em um dos pontos mais estratégicos do comércio global, a movimentação no Estreito de Ormuz amplia o alerta internacional sobre os riscos de uma nova escalada no Oriente Médio.