Emergência por chikungunya mobiliza equipes estaduais e federais em Dourados

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(Foto: SES)

Estratégia prioriza comunidades indígenas, capacitação de profissionais e ampliação da assistência médica

A resposta à emergência causada pelo avanço da chikungunya em Dourados passou a contar com reforço nacional e uma reorganização completa da rede pública de saúde. Há quase três semanas, equipes estaduais e federais atuam de forma conjunta no município para ampliar atendimentos, qualificar profissionais e conter a disseminação da doença, considerada atípica pela elevada circulação do vírus na região.

A força-tarefa reúne a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Força Nacional do SUS, que estão há 19 dias no município realizando ações simultâneas de assistência direta à população e reestruturação dos serviços de saúde, com atenção especial às comunidades indígenas.

Na terça-feira (7), a secretária de Estado de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, recebeu o diretor-geral da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, para alinhar a continuidade das estratégias adotadas desde a decretação da emergência em saúde pública.

Emergência por chikungunya mobiliza equipes estaduais e federais em Dourados
(Foto: André Lima)

Atendimento reforçado nas aldeias

O trabalho foi organizado em duas frentes principais. A primeira concentra o atendimento à população indígena da Reserva de Dourados, que inclui as aldeias Jaguapiru e Bororó, além de comunidades em áreas de retomada. Quatro unidades básicas de saúde concentram a cobertura assistencial nessas localidades, consideradas prioritárias diante da maior vulnerabilidade sanitária.

A segunda frente envolve a reorganização dos fluxos de atendimento e a capacitação de profissionais da saúde. Equipes médicas que atuam tanto no SUS quanto na rede suplementar passaram por treinamentos voltados ao diagnóstico e manejo clínico da chikungunya, doença ainda recente na região.

Plano prioriza casos graves

O plano de contingência prevê identificação precoce de casos graves, controle adequado da dor — um dos sintomas mais intensos da doença — e encaminhamento regulado para internação hospitalar quando necessário. Os pacientes são direcionados para unidades de referência, como o Hospital Universitário e o Hospital Regional de Dourados, conforme a gravidade do quadro clínico.

Paralelamente à assistência, o enfrentamento inclui ações de controle do mosquito transmissor. Em parceria com a Defesa Civil estadual e a Marinha do Brasil, equipes realizam instalação de telas em caixas d’água, aplicação de inseticidas químicos e biológicos — sem comprometer a potabilidade da água —, além de limpeza de terrenos e borrifação no entorno das residências.

Integração entre governos

Segundo a SES, a atuação integrada entre os governos federal, estadual e municipal tem sido decisiva para ampliar a capacidade de resposta do sistema de saúde diante do cenário emergencial.

A secretária em exercício, Crhistinne Maymone, destacou que a cooperação entre instituições permite respostas mais rápidas e eficazes. Segundo ela, além de ampliar o atendimento durante a crise, o trabalho contribui para qualificar permanentemente a rede de saúde, especialmente nas áreas mais vulneráveis.

A superintendente de Atenção à Saúde, Angélica Congro, afirmou que o acompanhamento já começa a avançar para a fase crônica da doença, com foco no seguimento dos pacientes, manejo contínuo da dor e ações de reabilitação, incluindo fisioterapia.

Já a superintendente de Vigilância em Saúde, Larissa Castilho, ressaltou que a capacitação contínua das equipes e a organização dos fluxos assistenciais têm garantido maior agilidade no diagnóstico e segurança no atendimento, além de deixar um legado para o enfrentamento de outras arboviroses.

O diretor-geral da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, avaliou que a mobilização conjunta demonstra a importância da atuação interfederativa em situações de emergência sanitária. Segundo ele, a união entre os diferentes níveis de governo tem sido essencial para proteger a população diante de um cenário considerado incomum pela alta positividade do vírus.

Com as ações em andamento, a expectativa das autoridades é que, além de conter o avanço da chikungunya, o município passe a contar com uma rede de saúde mais estruturada e preparada para futuras emergências relacionadas às arboviroses.