
Pesquisa publicada na revista Science aponta mutações que podem ajudar no tratamento da doença em diferentes espécies
O que o câncer em gatos pode ensinar sobre a doença em humanos? Um estudo internacional analisou quase 500 tumores felinos e encontrou alterações genéticas semelhantes às observadas em pessoas — descoberta que pode abrir caminho para novos tratamentos em diferentes espécies.
A pesquisa investigou múltiplos tipos de câncer em gatos domésticos de cinco países e identificou mutações que ajudam a explicar como os tumores se desenvolvem. Segundo os cientistas, a genética dos cânceres felinos deixou de ser uma “caixa preta” com os resultados do trabalho, considerado um dos maiores avanços na área.
O estudo foi publicado na quinta-feira (19) na revista científica Science.
Gene em comum no câncer de mama
Entre as descobertas, os pesquisadores identificaram genes específicos ligados ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer, incluindo formas agressivas de câncer de mama em gatas.
O gene condutor mais comum nesses casos foi o FBXW7. Mais de 50% dos tumores mamários analisados apresentavam mutações nesse gene. Em humanos, alterações no FBXW7 também estão associadas a pior prognóstico no câncer de mama — um padrão semelhante ao observado nos felinos.
Semelhanças com mutações humanas também foram encontradas em tumores de sangue, ossos, pulmões, pele, trato gastrointestinal e sistema nervoso central.
Ambiente compartilhado
Os pesquisadores destacam que gatos vivem nos mesmos ambientes que seus tutores e, por isso, estão expostos a fatores de risco semelhantes, como poluição, fumaça e produtos químicos. Isso pode explicar parte das semelhanças genéticas identificadas.
Além disso, o estudo apontou que determinados medicamentos quimioterápicos foram mais eficazes em tumores mamários de gatas com mutação no gene FBXW7. Embora o resultado tenha sido observado apenas em amostras de tecido, a descoberta pode ajudar a direcionar novas estratégias terapêuticas tanto para animais quanto para humanos.
“Este estudo pode nos ajudar a entender melhor por que o câncer se desenvolve em gatos e humanos, como o mundo ao nosso redor influencia o risco de câncer e, possivelmente, encontrar novas maneiras de preveni-lo e tratá-lo”, afirmou Geoffrey Wood, professor de patobiologia da Universidade de Guelph e coautor sênior do estudo.
Os cientistas avaliam que os resultados reforçam a importância da chamada medicina comparativa — que estuda doenças em diferentes espécies para ampliar o conhecimento e acelerar avanços científicos.



















