Explosões atingem comboio de ônibus perto de Aleppo, na Síria

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Publicado em 15/04/2017 14h23

Explosões atingem comboio de ônibus perto de Aleppo, na Síria

Observatório de Direitos Humanos da Síria relata pelo menos 43 mortes, dizendo que a explosão foi provocada por uma bomba. Veículos transportavam pessoas que foram retiradas de localidades sírias fiéis ao regime, diz.

G1

Um atentado com uma caminhonte-bomba contra um comboio de ônibus que esperava para entrar na cidade síria de Aleppo matou pelo menos 43 pessoas e deixou vários feridos neste sábado (15). Os veículos transportavam pessoas que foram retiradas de localidades sírias fiéis ao regime, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

“Há feridos sucumbindo aos ferimentos e estamos encontrando mais corpos”, informou o OSDH à agência France Presse.

Imagens publicadas pela mídia estatal mostraram corpos espalhados pelo chão e focos de incêndio com grandes colunas de fumaça negra. Os ônibus estavam escuros devido à explosão e suas janelas estavam quebradas.

A explosão ocorreu na área de Rashidin, no arredores de Aleppo, onde dezenas de ônibus carregando principalmente moradores xiitas de dois vilarejos estavam esperando para entrar na cidade, dentro um acordo entre as partes em guerra.

O suicida estava dirigindo uma caminhonete que transportava ajuda alimentar e detonou o veículo perto dos 75 veículos estacionados em Rashidin, setor rebelde a oeste da metrópole, de acordo com o OSDH, relatou a agência de notícias France Presse.

Cerca de 5 mil pessoas evacuadas na sexta-feira (14) das cidades de Fua e Kafraya, duas localidades favoráveis ao regime e sitiadas pelos rebeldes, estavam a bordo dos ônibus. Um acordo permitiu a evacuação simultânea das duas cidades.

Vítimas esperavam transferência

O correspondente da AFP no local viu muitos cadáveres, alguns carbonizados, incluindo crianças, e membros espalhados pelo chão, perto dos ônibus destruídos pela explosão. Ele também viu um grande número de feridos e pessoas em pânico na área onde os ônibus estão estacionados.

Antes do ataque, as milhares de pessoas evacuadas das quatro cidades sitiadas permaneciam bloqueadas desde sexta-feira em razão de divergências entre as partes em conflito, impedindo-os de prosseguir viagem.

Na sexta-feira, mais de 7 mil pessoas foram evacuadas simultaneamente de Fua e Kafraya (5.000) e das cidades rebeldes de Madaya e Zabadani (2.200), de acordo com o OSDH.

Essas evacuações, as últimas de uma longa série desde o início, há cerca de seis anos da guerra na Síria, foi possível graças a um acordo entre todas as partes que foi patrocinado pelo Catar, que apoia os rebeldes, e o Irã, aliado do regime.

Os habitantes de Fua e Kafraya deveriam se dirigir, passando por Rashidin, a Aleppo, Damasco ou Latakia (oeste), redutos do regime.

Simultaneamente, e também através de Aleppo, os evacuados de Madaya e Zabadani deveriam seguir para a província rebelde de Idlib (noroeste).

Mas em razão de divergências, os evacuados de Fua e Kafraya se viram bloqueados em Rashidin, enquanto os de Madaya e Zabadani ainda estavam esperando em Ramussa, localidade pró-regime a oeste de Aleppo.

Um líder rebelde havia dito à AFP que as diferenças estavam relacionadas ao número de combatentes armados evacuados. No total, mais de 30.000 pessoas deveriam ser evacuadas em duas etapas sob os termos do acordo alcançado em março.

Vários redutos rebeldes foram tomadas no ano passado pelo regime, com o apoio de sua aliada Rússia que interveio militarmente na Síria em setembro de 2015.

Imagem mostra explosões e ônibus destruídos com vítimas pelo chão nos arredores de Aleppo, na Síria (Foto: Reuters)