Explosões em Caracas elevam tensão entre Venezuela e EUA; Maduro decreta estado de emergência

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Explosões são registradas em Caracas, capital da Venezuela (Foto: Reprodução/X)

Governo venezuelano fala em agressão militar americana, enquanto Trump afirma que presidente foi capturado

Explosões romperam o silêncio da madrugada e marcaram o início de um sábado de tensão máxima na Venezuela. Colunas de fumaça, ruídos de aeronaves e quedas de energia foram registrados em Caracas nas primeiras horas do dia, em meio a uma escalada inédita do confronto entre o governo de Nicolás Maduro e os Estados Unidos.

Segundo testemunhas ouvidas pelas agências Reuters e Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas na capital venezuelana em um intervalo de cerca de 30 minutos. A primeira ocorreu por volta de 1h50, no horário local (2h50 em Brasília). Moradores relataram tremores, correria nas ruas e apagões, principalmente na região sul da cidade, próxima à base aérea de La Carlota. Jornalistas da CNN que estavam em Caracas afirmaram ter visto helicópteros e ouvido o som de aeronaves sobrevoando a cidade após as explosões.

Em nota oficial, o governo da Venezuela afirmou que o país foi alvo de uma “grave agressão militar” dos Estados Unidos. Segundo o comunicado, os ataques teriam atingido Caracas e também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Caracas acusa Washington de tentar assumir o controle das reservas estratégicas de petróleo e minerais do país e classifica a ação como uma tentativa de impor uma “guerra colonial” e promover uma mudança de regime.

Após os ataques, o presidente Nicolás Maduro decretou estado de emergência nacional — chamado oficialmente de “Comoção Exterior” — e ordenou a mobilização imediata das Forças Armadas. “O povo da Venezuela e suas Forças Armadas Nacionais Bolivarianas estão mobilizados para garantir a soberania e a paz”, diz o texto divulgado pelo governo, que também convocou forças sociais e políticas a se organizarem para a defesa do país.

Captura de Maduro

A Casa Branca, inicialmente, não havia se pronunciado sobre os relatos de explosões. Horas depois, porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma rede social que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e que Nicolás Maduro teria sido capturado junto com a esposa e retirado do país por via aérea. Trump não informou para onde o presidente venezuelano teria sido levado e disse que mais detalhes seriam apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília). O governo venezuelano não confirmou a captura de Maduro.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, post de Trump.

A reação internacional foi imediata. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou nas redes sociais que rejeita “qualquer ação militar unilateral” que coloque civis em risco e afirmou acompanhar a situação com “profunda preocupação”. Já o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou o ataque como “criminoso” e pediu uma reação urgente da comunidade internacional. Caracas informou que levará o caso ao Conselho de Segurança da ONU e a outros organismos internacionais, exigindo a condenação dos Estados Unidos.

A ofensiva ocorre em meio a uma escalada de tensões nas últimas semanas. O governo Trump vinha anunciando o reforço da presença militar americana no Caribe, com o envio de porta-aviões, navios de guerra e caças, além do endurecimento de sanções econômicas e do bloqueio ao petróleo venezuelano. Washington afirma que as ações têm como objetivo combater o narcotráfico, mas autoridades americanas já indicaram que a saída de Maduro do poder faz parte da estratégia.

Desde agosto, os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano e classificaram o Cartel de los Soles — que acusam Maduro de liderar — como organização terrorista. O governo da Venezuela nega qualquer envolvimento com o narcotráfico e afirma que está exercendo o direito à legítima defesa diante do que chama de “agressão imperialista”.

Enquanto isso, Caracas amanheceu sob clima de incerteza, com áreas sem energia elétrica, forte presença militar e a população tentando entender os próximos desdobramentos de um confronto que pode redefinir o cenário político e militar da região.