Fake news e IA entram na pauta de encontro nacional da Justiça Eleitoral em Campo Grande

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Evento no auditório do Bioparque Pantanal discute uso de IA, segurança das urnas e logística do pleito (Foto: Bruno Rezende)

Corregedores analisam medidas contra desinformação e melhorias no atendimento ao eleitores

A capital sul-mato-grossense vai se tornar, por três dias, o centro das decisões estratégicas da Justiça Eleitoral no país. Entre 22 e 24 de julho, Bioparque Pantanal recebe a 59ª edição do Colégio de Corregedoras e Corregedores Eleitorais do Brasil (Ccorelb), com foco no enfrentamento às fake news impulsionadas por inteligência artificial nas eleições deste ano.

O encontro reunirá representantes de todos os Tribunais Regionais Eleitorais, além de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral, consolidando-se como um dos principais fóruns de articulação da Justiça Eleitoral. Segundo o juiz eleitoral Olivar Augusto Roberti Coneglian, auxiliar da Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, o avanço das novas tecnologias colocou o combate à desinformação no centro do debate institucional.

O Ccorelb funciona como um colegiado que reúne corregedores eleitorais de todo o país para discutir práticas relacionadas à gestão, fiscalização e regularidade dos serviços eleitorais. Realizados três vezes ao ano, os encontros permitem a troca de experiências, o alinhamento de procedimentos e o fortalecimento da atuação conjunta da Justiça Eleitoral.

A escolha de Campo Grande como sede desta edição, a última antes das eleições, também leva em conta o desempenho do estado na organização do pleito. De acordo com Coneglian, Mato Grosso do Sul se destaca pela rapidez na apuração dos votos e pelo acesso facilitado da população às urnas.

Além do combate às fake news produzidas com uso de inteligência artificial, a programação inclui discussões sobre auditorias das urnas eletrônicas, melhorias na logística eleitoral e estratégias para reduzir filas nos locais de votação — um desafio recorrente em grandes centros urbanos.

Outro ponto em debate será a responsabilização na disseminação de conteúdos falsos. A tendência, segundo o magistrado, é ampliar o entendimento de que não apenas quem produz, mas também quem compartilha ou se beneficia de informações falsas pode ser responsabilizado.

O encontro também deve abordar iniciativas de modernização dos serviços ao eleitor, como ampliação do atendimento digital, uso de novas ferramentas tecnológicas e ações para aumentar a transparência e a confiança pública no sistema eleitoral brasileiro.