Família faz protesto no centro da Capital e quer saber: o que matou João Guilherme?

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Foto: Enviada ao Enfoque MS

Familiares e amigos do menino João Guilherme Jorge Pires, morto no dia 7 deste mês aos nove anos, após passar por diversos atendimentos médicos na saúde pública da Capital, realizaram um protesto nesse sábado (25) para cobrar a justiça e apuração dos fatos.

Usando camisas brancas e carregando faixas e cartazes, o grupo, composto por cerca de 20 pessoas, ocupou parte do canteiro central da Avenida Afonso Pena, no cruzamento com a Rua 14 de Julho, e também o semáforo da via.

A Associação de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul também participou. O presidente da entidade, Haldemar Moraes de Souza, informou à imprensa, que cobriu o protesto, que aguarda uma reunião com o Ministério Público para tratar do caso.

A expectativa é conseguir o prontuário médico completo, supostamente negado à família do menino que acusa a Saúde Pública de Campo Grande de descaso e negligência. Também está sendo verificada a possibilidade de exumação do corpo para nova perícia.

O caso

João Guilherme sofreu uma queda no dia 2 de abril e foi levado à UPA do Bairro Tiradentes, passando pelo exame de raio-x, que não apontou para fratura. Dessa forma, foi liberado e medicado com dipirona e ibuprofeno, remédios clássicos para dores.

Entretanto, como a dor persistiu, foi novamente levado pela família, dessa vez para a UPA do Bairro Universitário, onde outro médico o atendeu, porém manteve a mesma medicação.

No dia 4, mais uma vez procurou a UPA do Universitário, reclamando de dores no joelho e também relatou sentir pontadas no peito. O médico prescreveu uma injeção para a dor, mas a família não sabe qual medicamento foi aplicado. No caso da dor no peito, a médica sustentou ser apenas uma crise de ansiedade.

No dia 5, ainda com dores, João Guilherme esteve pela terceira vez na UPA, realizou outro exame de raio-x, sendo identificada lesão, ou possível rachadura, no joelho. Apesar disso, foi liberado com encaminhamento para imobilização na Santa Casa.

No dia 6, foi realizada a imobilização da perna com tala. Logo em seguida, o quadro clínico se agravou. João Guilherme desmaiou e foi, pela quarta vez, até a UPA Universitário, inconsciente.

No local, segundo a versão da família, não havia médico disponível. A enfermagem fez os primeiros socorros com oxigênio e intubação. Por conta da gravidade, foi transferido para a Santa Casa e, após tentativas de reanimação, morreu às 1h05 do dia 7.