Fatores externos tumultuaram show do Guns N’ Roses, mas quem entrou teve experiência épica

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Fotos: Redes Sociais

Estacionamentos clandestinos e grande número de vendedores ambulantes foram alguns transtornos mencionados pelo empresário Valter Junior, da Santo Show, responsável por trazer e organizar o show histórico da banda de rock americana Guns N’ Roses em Campo Grande, realizado na noite de quinta-feira (09), no Autódromo Internacional Orlando Moura.

Com público de cerca de 35 mil pessoas, houve congestionamento quilométrico na rodovia federal BR-262, que dá acesso ao Autódromo. Por conta do trânsito, que chegou a ficar totalmente parado por algumas horas, o público precisou abandonar os veículos no caminho e seguir a pé, em trechos de até 15 km, para não correr o risco de perder o show. Apesar disso, muita gente não conseguiu chegar a tempo.

Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Valter Júnior citou que foram meses de planejamento, com diversas reuniões envolvendo setores da segurança pública, em especial a equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF), responsável pela segurança da BR-262. “Ainda assim, enfrentamos dificuldades em relação a fatores externos sobre os quais não temos autonomia”, explicou.

Segundo ele, houve um grande número de ambulantes no entorno do local do evento, bem como estacionamentos clandestinos espalhados ao longo da via. O empresário também mencionou o pedido feito ao público para ir cedo ao Autódromo. “Pedimos e quase imploramos, para que chegassem mais cedo, justamente por se tratar de uma experiência inédita para a nossa cidade”.

Valter mencionou também que houve atraso de 1h30 no começo do show do Guns N’ Roses por conta do congestionamento. “Conseguimos segurar a banda por 1h30 para permitir que o maior número possível de pessoas acessasse a área do evento”, completou. O empresário ressaltou que, dentro do espaço, não houve ocorrências. “Quem esteve presente pôde viver um momento único”, classificou.

Fatores externos tumultuaram show do Guns N' Roses, mas quem entrou teve experiência épica
Foto: Redes Sociais
Empresa se manifestou em nota. — Foto: Reprodução

PRF tira o seu da reta

A PRF (Polícia Rodoviária Federal), em nota à imprensa, acusou falhas na organização interna do evento, especialmente na leitura de QR Code na entrada e também para um atraso na abertura dos estacionamentos oficiais. Ressaltou que atuou de forma planejada e contínua durante o evento, com foco na segurança viária e organização do fluxo.

A instituição disse que participou de reuniões de planejamento prévio, com análise do projeto apresentado pela organização do evento onde se previa múltiplas vias de acesso aos estacionamentos, entradas simultâneas de veículos e fluxo contínuo. No entanto, nada disso foi colocado em prática no dia, resultando no congestionamento total da rodovia federal.

A nota detalha que houve apenas uma via efetiva de acesso aos estacionamentos, com entrada de veículos de forma individualizada, o que gerou retenção. Foi implementado controle de acesso com leitura de QR Code na entrada, provocando filas, e não havia sinalização adequada para orientar os condutores, o que fez com que muitos motoristas parassem para buscar informações.

A PRF apontou ainda para a abertura dos estacionamentos com atraso em relação ao horário divulgado. “Os principais pontos de retenção registrados não estavam relacionados à gestão do fluxo na rodovia, mas sim à capacidade de acesso e à organização interna do evento”, afirma a nota, completando também que as ações incluíram flexibilização do deslocamento de pedestres e operação “pare e siga”.

Agetran segue no mesmo rumo

A Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) também se manifestou por nota e afirmou que o fluxo de veículos foi muito acima da capacidade das vias da região, especialmente da BR-262, que é o único acesso ao Autódromo.

O órgão disse que participou do planejamento e orientou sobre os impactos no trânsito, além de indicar rotas alternativas dentro da cidade. Equipes também foram posicionadas para tentar organizar o fluxo.

A Prefeitura de Campo Grande não disponibilizou transporte coletivo para o público ir e voltar do show. O deslocamento ficou por conta dos próprios espectadores, que recorreram a carros, motos, vans, ônibus particulares, aplicativos de transporte, a pé e até helicóptero.

Ambulante morreu ao sofrer infarto

Leandro Pereira Alfonso, um vendedor ambulante de 46 anos, morreu após sofrer um mal súbito do lado de fora do Autódromo. Ele foi socorrido por fãs, que fizeram manobras de reanimação cardíaca, mas não resistiu. Nas redes sociais, consta que ele trabalhava como supervisor em uma empresa de telecomunicações e era empreendedor na área de gastronomia. Campista da comunidade católica Boa Nova, na Vila Marli, e deixou a esposa e um casal de filhos.

Policiais da 6ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) atenderam à ocorrência junto ao Corpo de Bombeiros, que deslocou uma unidade de suporte avançado do perímetro urbano de Campo Grande, já que nenhuma viatura que estava na área interna do show foi disponibilizada e nem mesmo a PRF pôde prestar apoio à vítima. A perícia chegou a ser acionada, mas foi dispensada depois da constatação do óbito.

Quem não desistiu e chegou cedo aprovou

Apesar dos transtornos, quem conseguiu chegar até a área e ver os dois shows — a abertura aconteceu com a banda Raimundos — garante que foi uma noite épica. “As pessoas não se planejaram conforme a organização orientou. Sai de casa por volta das 14 horas e cheguei antes das 16h no Autódromo. Consegui assistir os shows perfeitamente e adorei, foi excelente”, comentou a publicitária Érika Ramos.

Quem também aprovou foi o estudante Eduardo Pimentel. “Eu fui em um ônibus fretado, saindo da Praça do Rádio, e, apesar do trânsito, consegui chegar a tempo de ver o show do Guns inteiro. Foi um dos melhores momentos da minha vida. Jamais acreditei que isso seria possível, ver uma banda de renome internacional, no auge, na minha cidade”, destacou.