O vice-presidente da Fiems, Crosara Júnior, representando o presidente da instituição, Sérgio Longen, participou do evento que marca o início da construção de um trecho ferroviário importante para a economia da região leste de Mato Grosso do Sul. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú ocorreu nesta sexta-feira (06/02), em Inocência.
“A gestão do presidente Sérgio Longen tem colaborado consideravelmente com as instâncias estaduais, criando oportunidades relevantes como essa. E este evento representa a convergência de todos esses esforços ao longo dos anos. Através de iniciativas do Sesi, do Senai e do IEL, a Federação está preparada para apoiar a indústria também nesta etapa, que é colocar a fábrica realmente pra funcionar”, declarou Crosara.
O ramal vai atender à futura fábrica da Arauco, que terá capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose. Por meio do novo trecho ferroviário, toda a produção será escoada até o pátio da Rumo Malha Norte (RMN). De lá, os trens seguirão para o Porto de Santos (SP), com destino aos mercados internacionais, principalmente Estados Unidos, Europa e Ásia.
A linha férrea, que será instalada na cidade de Inocência, será no modelo modelo short line, ou seja ferrovia de curta extensão voltada à logística. O trecho terá 45km de extensão e mais 9km dentro da própria fábrica. A previsão de conclusão das obras é no segundo semestre de 2027.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou que a implantação da ferrovia da Arauco representa um avanço estrutural para a logística nacional e para a competitividade de Mato Grosso do Sul. Serão menos 190 viagens de caminhão por dia, o que representa uma diminuição de 94% de CO².
“A utilização da ferrovia vai permitir uma expansão gradual do escoamento da produção. Isso reduz o tráfego de caminhões nas rodovias, melhora a segurança e torna o transporte mais eficiente. A concessão dessa short line, a primeira autorização desse tipo no Brasil, é um marco positivo e sinaliza uma nova rota de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul”, explicou.
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, ressaltou que o avanço do setor produtivo no Estado está diretamente ligado à capacidade de investimento em ferrovias, rodovias e em modelos inovadores de parceria entre o poder público e a iniciativa privada. Segundo ele, o novo ramal ferroviário representa um passo fundamental para o desenvolvimento regional, especialmente para atender a demanda crescente da indústria de celulose e garantir eficiência no escoamento da produção.
“A infraestrutura é essencial para impulsionar a competitividade. Esse projeto tem investimento privado, apoio já registrado e perspectivas muito positivas para toda a região. Esse é um novo modelo, aprovado pelo Congresso Nacional, que permite que a empresa construa a ferrovia para seu próprio uso. Isso simplifica o processo, reduz custos e garante eficiência”, afirmou.
O complexo industrial da Arauco ocupa uma área de 3,5 mil hectares, com investimentos de R$ 26 bilhões. O empreendimento tem previsão de começar a operar em 2027 e deverá gerar mais de 2.500 empregos diretos na fase de operação. Atualmente na obra da fábrica, atuam mais de 9 mil trabalhadores. O pico do trabalho deve ocorrer no segundo semestre deste ano, quando o quadro de colaboradores vai ultrapassar 14 mil pessoas. O diretor-presidente da Arauco, Carlos Altimiras, reconheceu a importância de uma união de esforços para mais um avanço da indústria no estado. “Primeiro eu quero destacar a parceria entre governo federal, estadual e o privado. Eu vejo um marco legal, consistente, fundamental para um olhar de longo prazo”, finalizou.
A celulose em Mato Grosso do Sul
Atualmente, o Estado conta com quatro plantas industriais de celulose em operação, com capacidade produtiva de 7,5 milhões de toneladas por ano, o que representa cerca de 30% de toda a capacidade instalada nacional, colocando Mato Grosso do Sul na liderança do setor no Brasil.
Até 2030, com a entrada em operação dos projetos da Arauco e da Bracell, serão incorporadas mais 5 milhões de toneladas à produção anual, elevando a capacidade total para aproximadamente 13 milhões de toneladas por ano e consolidando o Estado como o maior produtor de celulose do país.
Mato Grosso do Sul também lidera as exportações da celulose no Brasil. Segundo dados do Observatório da Fiems, entre 2024 e 2025, o Estado ampliou sua participação nas exportações nacionais do produto, de 28% para 35%, impulsionado por um crescimento de 17% na receita do setor no período. Atualmente, a celulose representa 29% de tudo o que o Estado exportou no último ano, com uma receita recorde de 3,1 bilhões de dólares e vendas para mais de 40 países.
Hoje, mais de 90% da celulose produzida em Mato Grosso do Sul é exportada por meio do Porto de Santos, o que reforça a necessidade de eixos logísticos mais eficientes para atender à crescente demanda. Nesse cenário, o novo ramal ferroviário torna-se peça-chave para sustentar a expansão do setor.
A cadeia da celulose é um dos principais motores da economia estadual, com cerca de 22 mil trabalhadores formais diretamente empregados nas atividades de produção florestal e industrial.




















