Número de requerimentos por aposentadoria, pensão e auxílios cresce 49% em um ano e atinge maior nível desde 2004
Começar o mês esperando uma resposta do INSS virou regra para milhões de brasileiros. Em novembro, a fila por aposentadorias, pensões e auxílios chegou a um patamar inédito: quase 3 milhões de pedidos aguardavam análise, o maior número já registrado desde o início da série histórica do Boletim Estatístico da Previdência Social, em 2004.
Segundo os dados oficiais, o volume de requerimentos pendentes saltou de 1,98 milhão no mesmo período de 2024 para 2,97 milhões em novembro deste ano — um crescimento de 49%. Na fila estão pedidos de aposentadoria, pensão por morte, auxílios e benefícios assistenciais, tanto dentro do prazo legal de 45 dias quanto acima dele.
A maior parte das solicitações ainda aguarda análise administrativa do instituto ou a realização da perícia médica inicial. No mesmo intervalo, o tempo médio para concessão dos benefícios também aumentou, passando de 43 para 46 dias.
Apesar da fila recorde, o INSS manteve um volume elevado de pagamentos. Em novembro, foram pagos 41,6 milhões de benefícios, com desembolso total de R$ 76 bilhões.
Escalada da fila
O crescimento mais acentuado começou em dezembro do ano passado, quando o número de pedidos pendentes ultrapassou 2 milhões. Ao longo do primeiro semestre de 2024, houve redução gradual da fila, entre janeiro e junho. No entanto, a tendência se inverteu nos meses seguintes, e o ano terminou com mais de 2,04 milhões de pessoas aguardando resposta.
Em 2025, a alta se intensificou, culminando no recorde registrado em novembro. Procurados, o INSS e o Ministério da Previdência não se manifestaram sobre a situação atual da fila.
Em ocasiões anteriores, o governo atribuiu parte do represamento às mudanças na legislação do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que passou a exigir biometria, além do aumento no número de novos requerimentos.
Medidas para reduzir a espera
Para tentar conter o avanço da fila, o governo federal adotou uma série de medidas ao longo do ano. Uma delas foi o Programa de Gerenciamento de Benefícios, que previa mutirões com servidores trabalhando fora do expediente regular, inclusive aos fins de semana, mediante pagamento extra. A meta era analisar pedidos em até 45 dias, conforme acordo firmado com o Tribunal de Contas da União (TCU).
O programa, no entanto, foi suspenso temporariamente em outubro por falta de recursos no orçamento do INSS.
Outra aposta está no reforço da perícia médica. Um concurso público realizado em fevereiro aprovou 500 novos peritos médicos federais — a primeira seleção para o cargo em quase 15 anos. Ao todo, 235 municípios serão atendidos, com prioridade para as regiões Norte e Nordeste, que concentram as maiores filas. A capacidade de atendimento deve crescer 46,5% no Norte e 36,3% no Nordeste.
Também foi criado um programa de gestão de desempenho, que prevê o pagamento de bônus por produtividade. Servidores podem receber R$ 68 por tarefa extra, enquanto médicos peritos ganham R$ 75 por atividade adicional, como forma de ampliar a capacidade de análise dos processos.
Mesmo com as iniciativas, os dados mais recentes mostram que a espera por benefícios segue como um dos principais gargalos da Previdência Social no país.



















