A corrupção ou crimes de lesa a ordem pública no Brasil está em todos os cantos e em um atual chavão a “tradicional família brasileira” acaba sendo uma das mais envolvidas, como mais uma vez ocorreu com a PC-MS (Polícia Civil de MS), deflagrando nesta terça-feira (28), a operação “Gattuno”, contra furto de energia em Campo Grande. A policia tinha ao todo 37 ações ou locais a serem fiscalizados e ratificados como infratores. Já no inicio da operação, quatro ditos empresários foram presos acusados de fazerem “gatos”, que entre este já deram prejuízo de R$ 300 mil. Dentre os mandados expedidos, eram para locais de conveniência, escritórios e mercados, de acordo com a polícia.
A “Gattuno” está sendo realizada pela 2ª DP (Delegacia de Polícia), em parceria com a concessionária Energisa e o ICPC (Instituto de Criminalística da PC). O delegado Enilton Pires Zalla, titular da 2ª DP, ratificou que quatro empresários foram flagrados com o desvio de energia nos estabelecimentos comerciais. “Já ao iniciar a operação, fizemos quatro abordagens, quatro prisões. Uma das fraudes era bem sofisticada inclusive, realizada no interior do equipamento medidor, porém, de fácil constatação”, afirmou o delegado.
Zalla, explica que foram ou serão vistoriados os 37 alvos, o que já gerou quatro prisões em flagrante, de empresários da região norte da cidade, bem como pode ocorrer outras. A operação ainda está em andamento e deve encerrar no final da tarde de hoje. Os locais com prisão “Foram duas conveniências, um escritório de investimentos e um depósito de embalagens”, confirmou o delegado, que acrescentou que estes comércios foram na Vila Rica, Vila Gomes, Coronel Antonino e Vila Margarida.
Contudo, os presos pela manhã, não ficarão presos. Os quatro empresários que foram detidos em flagrante pagaram fiança e foram liberados, sendo que foram arbitradas fianças de um a três salários mínimos. “Eles foram detidos, ouvidos, recolheram fiança e irão responder em liberdade. Os envolvidos irão responder por furto de energia, cuja pena varia de 2 a 8 anos de reclusão, além de multa”, revelou o delegado.

Empresa identifica, mas não age como policia
O delegado Zalla, explica que a Energisa – concessionária responsável pela distribuição de energia – até por ser quem mexe e tem conhecimento tecnico, é quem faz as ‘descobertas’ e abre processo policial comum, como um B.O (Boletim de Ocorrência) mas não é ou não pode ser policia. “Assim, eles – a empresa – indica as irregularidades, que passa a PC e a serem tratados como crimes ou afins e que fazem a polícia agir dentro do que há em procedimentos administrativos e Leis”, explicou o titular da 2ª DP.
Zalla acrescentou que a concessionária indicou os fatos delituosos em mais de três dezenas de estabelecimentos comerciais na região norte. “De posse das informações, estamos indo aos estabelecimentos apontados pela Energisa, que a principio hoje são 37, acompanhados da perícia e dos técnicos de energia”, informou.
O trabalho é minucioso, assim ainda deve continuar nos próximos dias até que todos os pontos sejam checados. Por exemplo, a analisa das unidades consumidoras já barradas, tem um histórico do padrão de consumo. Assim, quando o valor não condiz com o estabelecimento, é feita verificação. “Em um dos estabelecimentos, o consumo médio era de R$ 5 mil por mês e, atualmente, estava em R$ 1,5 mil. Os comércios estavam furtando energia há quatro ou cinco meses”, segundo o delegado.
Zalla ainda explicou que os donos dos estabelecimentos conseguem fazer esse desvio de energia através de ex-funcionários da empresa fornecedora ou eletricistas, que entendem sobre os equipamentos. “Conseguem desviar a energia e indicar um consumo menor na unidade consumidora. E que quem paga por esse desvio são os outros consumidores”, afirmou.
Todos pagamos
“É importante ressaltar que todo desvio de energia acaba dividido entre todos nós. É um crime que todo mundo paga”, finalizou o delegado.




















