Golpe que usa nome de advogados cresce e mobiliza investigação policial

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(Foto: Joedson Alves/Agência Brasil)

Criminosos usam mensagens urgentes para exigir transferências via Pix; Ordem dos Advogados do Brasil alerta para sinais de fraude

Uma mensagem urgente, enviada pelo WhatsApp, informa que a causa foi ganha e que o dinheiro só será liberado após o pagamento imediato de uma taxa via Pix. O tom é formal, a foto do perfil exibe a imagem de um advogado e até o número da OAB aparece na conversa. Mas tudo não passa de golpe. A fraude do “falso advogado” tem se sofisticado com o uso de inteligência artificial e já fez milhares de vítimas no país.

Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mais de 14 mil denúncias foram registradas desde o ano passado em ao menos 21 estados e no Distrito Federal. Apenas em São Paulo, são 4.388 ocorrências.

No Distrito Federal, a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma operação para desarticular duas organizações criminosas suspeitas de aplicar o golpe. As investigações começaram em julho do ano passado, após dois moradores de Taguatinga transferirem R$ 30 mil e R$ 50 mil aos estelionatários.

Como funciona o golpe

Criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios e enviam mensagens informando que a vítima tem valores a receber de uma ação judicial. Para liberar o montante, exigem pagamento prévio de taxas, custas processuais ou impostos, geralmente por Pix ou boleto.

A presidente da Associação de Advogados de São Paulo (AASP), Paula Lima Hyppolito Oliveira, explica que o principal sinal de alerta é a urgência injustificada.

“Desconfie de solicitações de pagamento antecipado. Escritórios sérios não costumam pedir transferências por WhatsApp ou e-mail sem contato prévio e formal”, orienta.

Ela destaca ainda que ameaças de bloqueio de valores ou perda de direitos caso o pagamento não seja feito imediatamente são estratégias comuns para pressionar a vítima.

Como se proteger

O crime é enquadrado como estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, e pode envolver também falsidade ideológica e uso indevido de identidade profissional.

Especialistas recomendam não compartilhar dados pessoais ou bancários por meios não verificados e sempre confirmar a identidade do advogado por canais oficiais. Uma das ferramentas disponíveis é a plataforma ConfirmaAdv, criada pela OAB, que permite verificar a autenticidade do registro profissional.

A orientação é que, ao receber qualquer mensagem suspeita, o cliente entre em contato diretamente com o escritório pelos números oficiais informados em contrato ou no site institucional.

De acordo com a OAB, a atuação preventiva dos próprios escritórios também é fundamental, com a formalização clara dos canais de comunicação no momento da contratação, para evitar que criminosos se aproveitem da expectativa e da ansiedade geradas por processos judiciais.

Em caso de golpe, a recomendação é registrar boletim de ocorrência e comunicar a instituição financeira para tentar bloquear a transferência.