
Alta do petróleo elevou custo dos bilhetes em cerca de 15% no Brasil; equipe econômica analisa reduzir IOF e tributos do combustível
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já começa a pesar diretamente no bolso dos brasileiros — e o impacto aparece primeiro nas passagens aéreas. Com o avanço da tensão internacional e a disparada do petróleo, o preço médio dos bilhetes no Brasil subiu cerca de 15%, levando o governo federal a discutir medidas emergenciais para evitar novos reajustes.
Segundo levantamento do buscador Viajala, a alta acompanha o movimento global provocado pela instabilidade no Oriente Médio, que elevou os custos operacionais das companhias aéreas. Diante do cenário, o governo brasileiro avalia reduzir tributos do setor, incluindo o IOF e impostos incidentes sobre o combustível de aviação.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, uma proposta elaborada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil foi encaminhada ao Ministério da Fazenda com sugestões para amenizar os efeitos da valorização internacional do petróleo sobre o transporte aéreo.
Entre as medidas analisadas estão a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação (QAv), a diminuição do IOF em operações financeiras das companhias aéreas e o corte do Imposto de Renda aplicado ao leasing de aeronaves.
Segundo a pasta, o objetivo é evitar que o aumento dos custos seja totalmente repassado aos passageiros. “A intenção é preservar a competitividade das empresas, evitar repasses excessivos ao consumidor e manter a conectividade aérea no país”, informou o ministério em nota.
O material enviado à Fazenda funciona como subsídio técnico e integra discussões internas do governo federal sobre os efeitos econômicos indiretos da guerra.
Petróleo mais caro explica alta das passagens
O principal fator por trás do aumento das tarifas aéreas é a valorização do petróleo, impulsionada pela obstrução no Estreito de Ormuz, região estratégica do Oriente Médio por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
Antes do agravamento do conflito, em 27 de fevereiro, o barril do tipo Brent era negociado a US$ 72,48. Um mês depois, o preço avançou 44%, chegando a US$ 104.
Como o combustível representa uma das maiores despesas das companhias aéreas, qualquer variação internacional impacta diretamente o valor das passagens.
Alta também é registrada no exterior
O aumento não se restringe ao Brasil. Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) mostram que o preço do combustível de aviação acumulou alta global de 11% até 13 de março — após uma semana anterior marcada por disparada de 58%.
Informações do Deutsche Bank divulgadas pelo jornal The New York Times indicam que passagens de última hora para destinos na Ásia, Europa e outros continentes chegaram a custar, em média, US$ 1.900.
Antes da guerra, voos semelhantes eram vendidos por cerca de US$ 830 para rotas transatlânticas e aproximadamente US$ 1.000 para destinos do outro lado do Pacífico. Nos Estados Unidos, passagens domésticas entre as costas do país subiram ao menos 16%.
Governo também age para conter impacto no diesel
Além das discussões voltadas ao setor aéreo, o governo federal adotou medidas para reduzir os efeitos da alta dos combustíveis na economia.
Recentemente, foram zeradas as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também assinou uma medida provisória que cria subvenção para produtores e importadores.
Segundo o Ministério da Fazenda, as ações devem reduzir o preço do diesel em cerca de R$ 0,64 por litro — sendo R$ 0,32 referentes ao corte de impostos e outros R$ 0,32 ligados ao subsídio.



















