Hanseníase: MS amplia capacitação e monitoramento para frear transmissão da doença

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(Foto: SES)

Estado registrou quase 2 mil casos entre 2021 e 2025, segundo dados oficiais

A hanseníase ainda circula no país, mas o caminho para frear a doença passa por informação, diagnóstico precoce e cuidado contínuo. Em Mato Grosso do Sul, uma iniciativa desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) amplia as ações de sensibilização da sociedade, combate ao estigma e fortalecimento da rede assistencial, com atenção especial ao acompanhamento de contatos — principalmente crianças e adolescentes com menos de 15 anos, indicador considerado estratégico para identificar transmissão ativa da doença.

Segundo a consultora em hanseníase da Gerência Estadual de Tuberculose, Hanseníase e Micoses Endêmicas da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Fabiana Pisano, investir de forma permanente em vigilância e qualificação profissional é decisivo para interromper a cadeia de transmissão. “O diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e a investigação dos contatos favorecem a quebra da transmissão e previnem incapacidades físicas. A hanseníase tem cura, e quanto mais cedo ela for identificada, melhores são os resultados”, explica.

Brasil segue entre os países com mais casos

No cenário nacional, o Brasil permanece como o segundo país com maior número de novos casos de hanseníase no mundo, com taxa de detecção de 10,41 casos por 100 mil habitantes. Entre os principais desafios estão a persistência da doença em crianças e o aumento de diagnósticos já com grau 2 de incapacidade física, o que indica diagnóstico tardio e reforça a necessidade de ampliar as ações de vigilância.

Em Mato Grosso do Sul, dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que, entre 2021 e 2025, foram registrados 1.950 casos da doença. O crescimento mais expressivo ocorreu em 2024, com 456 notificações, seguido de 2025, que contabilizou 424 casos até o momento.

Capacitação reforça atenção nos municípios

Como resposta ao cenário, a SES intensificou o apoio técnico aos 79 municípios sul-mato-grossenses por meio de uma agenda de capacitações voltadas à Rede de Atenção à Saúde. Entre as ações programadas estão treinamentos sobre sinais e sintomas da hanseníase e a aplicação de testes rápidos em contatos de casos novos, no dia 21 de janeiro, além da formação em Avaliação Neurológica Simplificada, prevista para 3 de fevereiro. As atividades serão realizadas pela plataforma Telessaúde.

Janeiro Roxo e mobilização nacional

As ações fazem parte da mobilização do Janeiro Roxo e antecedem o Dia Mundial de Enfrentamento da Hanseníase, celebrado em 25 de janeiro. Como parte da programação nacional, uma solenidade será realizada nos dias 29 e 30 de janeiro, em Brasília, reunindo representantes de estados, municípios e centros de referência para alinhamento técnico e fortalecimento da rede de enfrentamento.

Em Mato Grosso do Sul, a atuação integrada da Gerência Estadual de Hanseníase com o Hospital São Julião é considerada estratégica para a vigilância, a reabilitação de pacientes e a formação de profissionais de saúde, contribuindo para a meta de eliminar a hanseníase como problema de saúde pública.

Tratamento é gratuito pelo SUS

A hanseníase é uma doença infecciosa, crônica e contagiosa, que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. O tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem alta eficácia e interrompe rapidamente o risco de transmissão. Diante de qualquer sinal ou sintoma suspeito, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação e encaminhamento adequado.