O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã tomou novas proporções na madrugada desta segunda-feira (2). Militantes do grupo Hezbollah, aliado de Teerã, lançaram foguetes e drones contra o norte de Israel em retaliação à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei — alvo de um bombardeio no último sábado (28).
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmaram que interceptaram a maioria dos drones, enquanto alguns foguetes caíram em área aberta, sem deixar feridos. Em resposta, os israelenses lançaram ataques contra alvos do Hezbollah em todo o Líbano, onde o grupo é dominante, incluindo a capital, Beirute. Pelo menos 31 pessoas morreram e outras 149 ficaram feridas.
“A organização terrorista Hezbollah está destruindo o Estado do Líbano, e é responsável pela escalada. As FDI agirão contra a decisão do Hezbollah de se juntar à campanha e não permitirão que a organização represente uma ameaça ao Estado de Israel e prejudique os moradores do norte. As FDI estão preparadas para um cenário multiarena e para lidar com qualquer ameaça”, disseram os militares.
Pelas redes sociais, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, criticou o lançamento de projéteis do sul do país, dizendo que o ato era “irresponsável”, pois coloca em risco a segurança nacional. O ataque por parte do Hezbollah, segundo ele, dá a Israel pretextos para continuar com os bombardeios contra o país, mesmo com o acordo de cessar-fogo firmado em 2024.
“Não permitiremos que o país seja arrastado para novas aventuras e tomaremos todas as medidas necessárias para prender os autores e proteger os libaneses”, escreveu Salam. “Mais uma vez apelo a todos os libaneses para que exerçam sabedoria e patriotismo, colocando os interesses do Líbano e do povo libanês acima de tudo. Repito que não aceitaremos que alguém entre em aventuras que ameacem sua segurança e unidade”, acrescentou.
Durante a madrugada, Israel também foi alvo de novos mísseis iranianos, em retaliação aos ataques do fim de semana. As FDI informaram que estão trabalhando para interceptar as ameaças, recomendando que moradores se abriguem em bunkers até que um novo aviso seja emitido.
O que está acontecendo no Irã?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. “Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”, disse.
Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano revelou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.
*Por SBT News










