Dólar recua ao menor valor desde maio de 2024; alta é impulsionada por dados de inflação abaixo do esperado e investimentos estrangeiros
O mercado brasileiro viveu mais um dia de otimismo nesta terça-feira (27), com o Ibovespa renovando recorde de fechamento e superando os 181 mil pontos pela primeira vez. O movimento foi impulsionado por dados de inflação abaixo do esperado, ganhos das principais ações e a continuidade do fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa.
O índice avançou 1,79%, encerrando a sessão aos 181.919,13 pontos, e chegou a alcançar a máxima do dia em 183.359,56 pontos. O bom desempenho ocorre em meio à expectativa de decisões de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, programadas para a chamada “Superquarta”. A Selic deve permanecer em 15% no país, enquanto nos EUA as taxas devem se manter entre 3,50% e 3,75%.
No câmbio, o dólar registrou queda de 1,41%, cotado a R$ 5,2056, alcançando o menor valor desde 28 de maio de 2024. Analistas apontam que a desvalorização da moeda americana frente ao real é resultado do fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa, impulsionado pelo diferencial de juros entre os dois países.
A prévia da inflação, o IPCA-15, também trouxe otimismo aos investidores. Em janeiro, o índice subiu 0,20%, abaixo do esperado pelo mercado, que projetava 0,22%, e desacelerou em relação à alta de 0,25% registrada em dezembro. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,50%, no teto da meta do Banco Central. O resultado reforça expectativas de cortes futuros na Selic, possivelmente já a partir de março.
Segundo o analista João Abdouni, da Levante Inside Corp, “o dado surpreendeu positivamente o mercado e aumenta a confiança de que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos mais consistentes sobre os preços. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a expectativa por cortes de juros ou, ao menos, por uma comunicação mais branda do Banco Central”.
No cenário internacional, investidores seguem atentos à temporada de balanços nos EUA e à geopolítica global. A União Europeia e a Índia fecharam um acordo comercial histórico, reduzindo tarifas e criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com cerca de 2 bilhões de consumidores. Ao mesmo tempo, tensões entre EUA, China e Coreia do Sul seguem afetando mercados e aumentando a cautela dos investidores.
Em Wall Street, os índices americanos fecharam sem direção única: S&P 500 avançou 0,42%, Nasdaq subiu 0,91% e Dow Jones recuou 0,83%. Na Europa, a maioria das bolsas fechou em alta, com destaque para o STOXX 600, que avançou 0,6%. Já na Ásia, os mercados foram majoritariamente positivos, com destaque para o Kospi, da Coreia do Sul, que subiu 2,73%.
O cenário evidencia que, apesar das incertezas globais, o mercado brasileiro mantém a atratividade para investidores estrangeiros, impulsionando a valorização do Ibovespa e a estabilidade do real.




















