Índices mostram a rejeição das comunidades ao imunizante
Dados do Governo do Estado apontam que cerca de 58% dos povos indígenas no estado se imunizaram com a primeira dose da vacina contra o novo coronavirus.
Os números são considerados relativamente baixos e, uma das motivações seria o alto índice de disseminação de fakenews na comunidade indígena. A desinformação ou informação errada está afetando diretamente o processo de imunização, o que levou o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Mato Grosso do Sul a implementar o uso de cartilhas educativas para tentar diminuir a propagação deste tipo de informação.

Leosmar Terena, Biólogo, atua na formação de professores indígenas e reside na Terra Indígena Cachoeirinha, região da cidade de Miranda, distante 200km da Capital. Ele relata a dificuldade de convencer os indígenas a se imunizarem. “Na nossa aldeia não tivemos um índice de rejeição muito grande, porém em outros lugares, muitos indígenas não querem se imunizar”, relata o professor.
Ele faz um apelo e pede para que os indígenas em especial do Mato Grosso do Sul se imunizem, pois são prioridade por estarem no chamado grupo de risco, pede ainda para terem atenção redobrada quanto as informações que estão sendo repassadas. “Muitos resistem por conta das fakenews e, a discursos de pessoas sem entendimento quanto ao imunizante. Líderes religiosos por exemplo, tem atribuído a vacina à obra do inimigo, não podemos ouvir orientações de quem diz o contrário da segurança da vacina e da eficiência da ciência”, diz Leosmar.
Complementa ainda falando a respeito da campanha de vacinação mundial. “Vacinas foram produzidas, testadas e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no mundo não se tem relatos de morte de quem recebeu a vacina”.
Em seu relato o indígena ainda destaca o impacto que as igrejas e líderes religiosos causam dentro das reservas. “O que deveria servir de alento para a comunidade acaba por levar desinformação e risco de vida”.
O combate as fakenews tem sido um grande desafio durante a pandemia, muitas informações falsas circulam no mundo todo quando o assunto é coronavirus. O conhecimento da ciência que teria de ser o mais respeitado vem sendo cada vez mais desprezado, contribuindo para situações devastadoras no âmbito da saúde.
As vacinas são a única forma de proteção contra a coivid19 comprovadas até o momento, ela evita a forma grave da doença, contribuindo assim para a queda de internações, desafogando o sistema de saúde. Em uma situação onde a infraestrutura das aldeias já são precárias, apostar na ciência e evitar casos em massa desses povos é a alternativa mais sensata.




















