Indígenas se mobilizam a pedem intervenção na aldeia por mais segurança

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14/11/2014 13h00

Indígenas se mobilizam a pedem intervenção na aldeia por mais segurança

Dourados News

Dezenas de moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, se mobilizaram na manhã desta sexta-feira (14) em uma passeata que saiu de dentro da Reserva e depois se concentrou a rotatória de acesso às aldeias, na MS-156, que liga a cidade a Itaporã.

Com cartazes e faixas que alarmavam a violência, além da garantia dos direitos da mulher – remetendo aos recentes casos de estupros ocorridos dentro da aldeia – os indígenas guarani-kaiowá criticaram autoridades e prometem “ira até o fim” por mais segurança.

“A comunidade não aguenta mais a violência dentro da aldeia. Vamos nos mobilizar e encaminhar ao MPF [Ministério Público Federal], ao governo do Estado e também Federal a nossa necessidade. A comunidade está implorando que as autoridades se mexam e nos ajudem a mudar essa realidade triste”, disse o líder da aldeia Bororó (onde ocorrem a grande maioria dos casos de violência), Gaudêncio Benites.

Ao microfone, mulheres indígenas se revezavam em um discurso de revolta. Uma das pioneiras dentro da Reserva a indígena Edite Martins, 60, moradora da aldeia Jaguapiru, disse que a violência só aumenta e “ninguém faz nada”.

“Estamos vendo a violência tomar conta e nada acontece. Ninguém faz nada. Estamos aflitas por nós, pelos nossos filhos e netos. Isso tem que mudar”, declarou Edite.

Diretor da Ceaid (Coordenadoria Especial de Assuntos Indígenas de Dourados), Leomar Mariano Silva disse que a situação é tão alarmante, que autores de casos de estupro, por exemplo, circulam livremente pelas aldeias. “Não ficam presos. Ficam circulando impunes porque a polícia e a Lei não funcionam como se deve. Isso não pode acontecer”, criticou Silva.

Presente na manifestação, a secretária municipal de Assistência Social, Ledi Ferla, disse que por meio do Cras (Centro de Referência em Assistência Social) Indígena é possível identificar o quanto a realidade das comunidades que vivem na Bororó e na Jaguapiru é crítica.

“Os nossos profissionais que atendem no Cras estão apavorados. São casos e mais casos de violação de direitos que estão acontecendo a todo momento. Ainda não sabemos como vamos agir para intervir, mas estamos montando uma comissão com a participação de todos para estudar a situação e ver como vamos fazer. O que não podemos é ficar de braços cruzados”, disse a secretária.

Coordenador da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Dourados, Vander Nishijima negou que a Fundação esteja alheia ou omissa ao que acontece dentro das aldeias. “Não tutelamos os povos indígenas, portanto trabalhamos com a articulação junto aos órgãos competentes. Não estamos alheios a esse cenário de violência. Vamos trabalhar para a formação de uma comissão para que possamos combater essa situação, que não depende apenas de segurança, mas também de políticas públicas”, justificou Nishijima.

Passeata reuniu moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru na manhã desta sexta-feira (Foto: Adriano Moretto)

Líder da Bororó, Gaudêncio Benites disse que comunidade

Secretária de Assistência Social, Ledi Ferla, disse que comissão será formada para avaliar como será apoio para coibir casos (Foto: Adriano Moretto)