Investigação descarta feminicídio em assentamento de Selvíria e confirma suicídio

13
Delegacia de Selvíria (Foto: PCMS)

A morte de uma mulher no Assentamento São Joaquim, em Selvíria, no dia 08 deste mês, não foi um feminicídio, conforme amplamente divulgado pela imprensa local e até pelas autoridades. Na evolução da investigação, a polícia constatou que se trata mesmo de um suicídio, conforme defendeu o marido, então preso em flagrante pelo crime.

Segundo laudo da médica-legista, a mulher empurrou a faca contra o próprio peito. Um dos detalhes que apontou para o suicídio foi o fato de arma branca não ficar totalmente cravada no peito da vítima. “Em homicídios ou feminicídios, a lâmina geralmente penetra completamente no corpo da vítima. A angulação da facada também sugere que a vítima tenha se autoferido”, detalha o documento.

Também como parte do inquérito, o filho da vítima e do autor, em depoimento, revelou que a mãe lhe havia confidenciado estar com câncer e tinha intenções de tirar a própria vida. Antes, o marido dela, negou o crime e sustentou que sempre teve o convívio harmonioso com a mulher. Não há registros de violência entre o casal, também levado em consideração na apuração.

Por conta destes cenários, a investigação determinou a exclusão da classificação inicial de feminicídio, alterando o caso para suicídio. “A Polícia Civil conclui a apuração do caso e declara o encerramento das diligências, deixando a equipe à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais”, cita a nota.

Apesar disso, o marido da vítima ainda está preso. O advogado de defesa já ingressou com o pedido de soltura, mas não há prazo para a decisão. Além disso, vai avaliar se houve exposição indevida da imagem e a necessidade de apoio psicológico para o cliente, que está em situação emocional delicada pela perda da esposa e a falsa acusação de assassino.

O caso

Os fatos foram no domingo (08). Na ocasião, as primeiras informações apontavam que houve uma discussão entre o casal e, na sequência, o marido desferiu um golpe de faca contra o peito dela.

O filho da vítima foi quem prestou os primeiros atendimentos e pediu ajuda na Base Operacional da concessionária Way 112, na rodovia estadual MS-112. A mulher estava no banco de passageiro, com a faca ainda cravada no peito.

Os socorristas, no entanto, apenas atestaram o óbito e acionaram a Polícia Civil. O marido foi preso logo na sequência, alegando ser inocente. Ele foi levado para Depac de Três Lagoas.

Em conversa com os policiais, o filho disse que recebeu uma ligação do seu pai, desesperado, anunciando que a mãe tinha se matado. Ao chegar o imóvel dos pais, recolheu a mãe da cadeira em que estava sentada, com a faca no peito, e a levou para o ponto de apoio.

Em depoimento, o autor manteve a versão original, apontando que não tinha motivos para o crime, pois os dois mantinham um convívio harmonioso. Sem muitos detalhes, alegou que a mulher estava sentada quando, de repente, cravou a faca no próprio peito.

O marido também contou que não há testemunhas, pois na ocasião só estavam os dois na casa. Sobre não estar mais na casa quando a polícia chegou, ele disse que tinha ido informar um familiar sobre a morte da esposa.