Troca de partidos fortalece PL, União Progressista e Republicanos e altera composição da Câmara Federal e da Assembleia
O relógio eleitoral avança e, junto com ele, muda também o mapa político. A poucos meses das eleições de outubro, deputados aproveitaram o último período permitido por lei para trocar de partido sem risco de perder o mandato — movimento que redesenhou bancadas e fortaleceu novas alianças em Mato Grosso do Sul.
Termina nesta sexta-feira (3) a chamada janela partidária, prazo de um mês que autoriza deputados federais, estaduais e distritais a mudarem de legenda dentro das regras da legislação eleitoral. A medida permite o troca-troca partidário sem que o parlamentar seja punido por infidelidade partidária.
Na prática, o deputado pode deixar o partido pelo qual foi eleito e ingressar em outra sigla mantendo o mandato, já que, fora desse período, a Justiça Eleitoral entende que a vaga pertence ao partido, e não ao político.
Como funciona a janela partidária
A regra vale apenas para cargos eleitos pelo sistema proporcional, utilizado nas disputas para deputado federal, estadual, distrital e vereador. Nesse modelo, a distribuição das cadeiras depende não apenas da votação individual, mas também do desempenho dos partidos.
Por isso, trocas fora do prazo só são permitidas em situações específicas, como mudança relevante no programa partidário ou comprovada discriminação política pessoal.
Nas eleições deste ano, a janela foi válida apenas para deputados federais, estaduais e distritais, que estão no último ano do mandato. Vereadores, que ainda estão na metade da legislatura, e senadores, eleitos pelo sistema majoritário, não foram incluídos.
Mudanças em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o período terminou com ganhos expressivos para PL, União Progressista (federação entre PP e União Brasil) e Republicanos, que ampliaram suas bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto na Assembleia Legislativa.
Na bancada federal, o União Progressista passou de um representante para a maior força do Estado, após receber as filiações dos deputados Geraldo Resende e Dagoberto Nogueira, além de Luiz Ovando. Já o Republicanos ganhou espaço com a entrada de Beto Pereira.
O principal impacto negativo foi sentido pelo PSDB, que perdeu representantes e deixou de ter bancada federal por Mato Grosso do Sul.
Assembleia Legislativa tem nova configuração
Na Assembleia Legislativa, o maior crescimento foi do PL, que saltou de três para sete deputados estaduais, tornando-se a maior bancada da Casa.
O partido recebeu Mara Caseiro, Zé Teixeira, Paulo Corrêa, Márcio Fernandes e Lucas de Lima, consolidando a ampliação do grupo político.
O Republicanos aparece em seguida, passando de um único deputado para quatro parlamentares, após receber Pedrossian Neto, Renato Câmara e Roberto Hashioka.
Já o União Progressista também alcançou quatro cadeiras, reunindo parlamentares vindos de diferentes siglas.
O PT manteve sua bancada com três deputados estaduais, enquanto o PSDB sofreu perdas, apesar da chegada de Paulo Duarte. O MDB foi outro partido impactado, reduzindo sua representação para apenas um deputado.
Durante a janela, algumas legendas desapareceram da Assembleia, como PSB, Patriota, PSD e Podemos. Em contrapartida, partidos como Novo e Avante conquistaram suas primeiras cadeiras na Casa.
Novo equilíbrio político
Com o fim da janela partidária, o cenário político sul-mato-grossense entra em nova fase, marcada por bancadas mais concentradas e rearranjos estratégicos que devem influenciar diretamente as alianças e disputas eleitorais nos próximos meses.
A partir de agora, novas trocas partidárias só poderão ocorrer em situações excepcionais previstas pela legislação eleitoral.




















