Lula chama orçamento secreto de “sequestro do dinheiro do Executivo”

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Lula participa de comemoração dos 46 anos do Diretório do PT; ele viajou para estado na sexta (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Em evento do PT na Bahia, presidente criticou o mecanismo e o voto favorável do próprio partido

Durante um evento partidário em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco, mas foi o orçamento que acabou no centro do discurso. Neste sábado (7), ao participar das comemorações pelos 46 anos do Diretório Estadual do PT na Bahia, Lula afirmou que o chamado orçamento secreto representou “um sequestro do dinheiro do Executivo” e criticou, de forma direta, a atuação do próprio partido no Congresso.

“A verdade é que o orçamento secreto foi um sequestro do orçamento do Executivo para que deputados e senadores tivessem a oportunidade de utilizar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal”, afirmou o presidente. Segundo Lula, o montante envolvido neste ano chega a quase R$ 60 bilhões. “Se vocês acham que isso é normal, tudo bem. Para mim, não é normal”, completou.

O presidente também criticou o fato de o PT ter votado favoravelmente ao mecanismo em votações no Congresso. “O que eu acho grave é que o PT votou favorável. E ninguém reclama. Eu sei que tem companheiro que fica chateado por eu dizer isso aqui, mas se eu não posso falar dentro do partido, vou falar onde?”, disse.

Ainda no discurso, Lula avaliou que a política brasileira está “muito mercantilizada” e afirmou que a esquerda precisa retomar posicionamentos mais firmes e discursos mais duros sobre temas estruturais do país.

Prioridades do PT

As declarações ocorrem na mesma semana em que o PT aprovou uma resolução do Diretório Nacional que define prioridades para o partido. Entre os principais pontos estão o fim da escala de trabalho 6×1, sem redução salarial, a redução da meta de inflação, atualmente em 3%, e a ampliação do transporte público gratuito.

Segundo o documento, a sigla defende o avanço da política de tarifa zero, com o argumento de que o direito de ir e vir impacta diretamente a renda e a qualidade de vida dos trabalhadores. “Tempo e renda são recursos que garantem dignidade”, afirma o texto.

Antes do evento partidário, Lula participou de uma agenda oficial na Bahia, onde entregou ambulâncias e voltou a mencionar a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública.