Presidente diz que passagem é administrada de forma eficiente e sem discriminação há quase 30 anos e reforça integração regional
Em um discurso com recado diplomático claro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do canal do Panamá nesta quarta-feira (28), ao afirmar que a principal rota comercial entre os oceanos Atlântico e Pacífico tem sido administrada de forma “eficiente, segura e não discriminatória” há quase 30 anos. A declaração foi feita na abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e países latino-americanos e caribenhos.
Segundo Lula, a neutralidade do canal é um ativo estratégico para o comércio global e deve ser preservada. O tema, afirmou o presidente, também deve entrar na pauta da reunião bilateral com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. Nos últimos meses, o canal voltou ao centro do debate internacional após críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reclama do aumento das tarifas cobradas pela passagem.
Durante o discurso, Lula defendeu o fortalecimento da integração regional e a ampliação das relações bilaterais entre os países da América Latina e do Caribe. Para ele, a cooperação é essencial diante de um cenário global marcado por disputas geopolíticas e econômicas.
“Para uma integração regional duradoura e estratégica, é essencial envolver atores subnacionais, a sociedade civil e a iniciativa privada”, afirmou o presidente.
O petista citou encontros bilaterais realizados durante o fórum, como a conversa com o presidente do Chile, José Antonio Kast. Entre os temas discutidos esteve o programa Rotas de Integração Sul-Americana, que prevê a estruturação de corredores bioceânicos com uso de portos chilenos para facilitar o comércio entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile.
Lula também criticou o uso da força como instrumento de política externa na América Latina e fez um resgate histórico da relação com os Estados Unidos. Segundo ele, tentativas de dividir o mundo em zonas de influência e disputas por recursos estratégicos representam retrocessos.
“A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos e retrocessos históricos. Também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento”, disse.
Canal do Panamá no centro da tensão
Desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump tem questionado publicamente as tarifas do canal do Panamá e chegou a ameaçar uma retomada do controle da passagem, uma das mais movimentadas do mundo. Em 2025, o presidente norte-americano acusou o Panamá de cobrar valores excessivos e afirmou, sem apresentar provas, que o país teria cedido o controle do canal à China.
Após a pressão, o governo panamenho autorizou que navios de guerra dos Estados Unidos utilizassem o canal gratuitamente e com prioridade. No início deste ano, José Raúl Mulino chegou a declarar que a tensão entre Panamá e EUA estava superada, mas, segundo avaliações diplomáticas, o tema ainda gera preocupação na comunidade internacional.
Ao defender a neutralidade do canal, Lula reforçou a posição do Brasil em favor do multilateralismo e da integração regional como caminhos para reduzir conflitos e ampliar o desenvolvimento econômico na América Latina e no Caribe.



















