Lula diz a Trump que Brasil não quer “nova Guerra Fria” após anúncio de tarifas

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(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Em viagem à Índia, presidente defende relações comerciais equilibradas e afirma que pretende conversar diretamente com o líder dos EUA sobre taxação

Em meio à agenda oficial na Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou uma entrevista coletiva em Nova Délhi, na Índia, para enviar um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado sobre as novas tarifas anunciadas por Washington, Lula afirmou que o Brasil não quer “uma nova Guerra Fria” e defendeu relações comerciais equilibradas com todos os países.

“Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles também um tratamento igualitário com os outros países”, declarou.

O republicano anunciou na sexta-feira (20) uma tarifa global de 10%, com base na seção 122 do Ato do Comércio de 1974, após a Suprema Corte dos Estados Unidos barrar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). No sábado (21), a alíquota foi elevada para 15%.

Lula afirmou que recebeu com cautela as medidas anunciadas por Washington e disse estar “aliviado” por não ter se precipitado em eventuais negociações tarifárias diante das incertezas jurídicas envolvendo a disputa entre a Casa Branca e a Suprema Corte norte-americana.

“Sobre a taxação, tomamos decisão com muita cautela e tomamos a decisão correta. Em algumas coisas o próprio governo americano voltou atrás e agora temos a decisão da Suprema Corte. Por isso eu quero conversar direto com Trump sobre toda a relação entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou.

O presidente também voltou a criticar a dependência do dólar nas transações internacionais. Segundo ele, o Brasil quer discutir alternativas para ampliar o uso de moedas locais no comércio bilateral. “Não queremos moeda dos Brics, queremos discutir. Para o Brasil fazer comércio com a Índia, precisa ter o dólar ou podemos fazer a nossa moeda?”, questionou.

A relação com os Estados Unidos foi um dos principais temas da conversa com jornalistas na capital indiana. De acordo com o Palácio do Planalto, Lula deve se reunir com Donald Trump em março.

Na Índia, o presidente brasileiro também fechou acordos na área de minerais críticos e terras raras. Após a passagem por Nova Délhi, Lula segue para a Coreia do Sul acompanhado de uma comitiva formada por 11 ministros.