Lula não participará de atos do Dia do Trabalhador pelo segundo ano seguido

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Ausência ocorre um ano após evento esvaziado em São Paulo gerar críticas dentro do governo

Presidente ficará em Brasília sem agenda pública; governo será representado por Guilherme Boulos em evento no ABC paulista

Sem participar de atos públicos e sem agenda oficial prevista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficará em Brasília neste 1º de Maio e repetirá a ausência nas celebrações do Dia do Trabalhador pelo segundo ano consecutivo. Enquanto centrais sindicais organizam eventos em diferentes cidades do país, o principal representante do Palácio do Planalto nos atos será o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

A última participação de Lula em eventos do tipo ocorreu em 2024, em um ato realizado em um estádio de futebol em São Paulo. Na ocasião, a baixa adesão de público gerou repercussão e levou o presidente a cobrar publicamente o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macedo, pelo esvaziamento da mobilização.

O Palácio do Planalto não informou oficialmente os motivos da ausência de Lula neste ano. Segundo a agenda presidencial, ele permanecerá em Brasília ao longo da sexta-feira (1º), sem compromissos públicos confirmados.

O principal evento ligado ao governo ocorrerá em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A programação terá a participação do ministro Guilherme Boulos, do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e do presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em conjunto com outras entidades sindicais da região, o ato terá como principal bandeira a defesa do fim da escala de trabalho 6×1 — tema que vem sendo tratado pelo governo como prioridade na agenda trabalhista em ano eleitoral.

Nos últimos dias, Lula reforçou publicamente o apoio à proposta de redução da jornada semanal e ao modelo com dois dias de descanso sem redução salarial. O assunto também esteve no pronunciamento do presidente em rede nacional pelo Dia do Trabalhador.

Além de ficar fora das celebrações sindicais, Lula também não participará de uma videoconferência internacional entre chefes de Estado do Mercosul e da União Europeia.

O encontro virtual marca o início da vigência provisória do acordo de livre comércio negociado entre os dois blocos ao longo de 26 anos.

O governo brasileiro será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A reunião deve contar com a presença de presidentes dos países do Mercosul, além da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.