Manifestantes ocupam ruas de Campo Grande em ato contra ataques de 8 de janeiro

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(Foto: Redes sociais)

Protesto reuniu movimentos sociais e entidades no Centro da capital nesta quinta-feira (8)

Um ato público no coração de Campo Grande transformou a tarde desta quinta-feira (8) em um espaço de memória e posicionamento político. Três anos após os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, manifestantes ocuparam ruas do Centro da capital sul-mato-grossense para reafirmar a defesa da democracia e repudiar qualquer tentativa de ruptura institucional.

Manifestantes ocupam ruas de Campo Grande em ato contra ataques de 8 de janeiro

A mobilização ocorreu de forma simultânea nas 27 capitais brasileiras e foi organizada pelas frentes CUT, Brasil Popular e Povo Sem Medo. Em Campo Grande, a concentração começou por volta das 17h30, na esquina da Praça Ary Coelho, entre a Avenida Afonso Pena e a Rua 14 de Julho. Em seguida, os participantes seguiram em caminhada pela principal via comercial da cidade.

Com o lema “em defesa da democracia”, o ato reuniu movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais, organizações políticas e representantes da sociedade civil. Faixas, cartazes e palavras de ordem marcaram a manifestação, que também se posicionou contra propostas de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Para a estudante Ana Paula Franco, de 24 anos, a data carrega um significado simbólico. “É um momento importante para lembrar o que aconteceu em 2023 e reforçar a necessidade de preservar a democracia, que tem sido constantemente atacada. Participar desse ato é uma forma de resistência”, afirmou.

Além do contexto nacional, alguns manifestantes exibiram cartazes com referências à situação política internacional, incluindo menções à Venezuela e ao presidente Nicolás Maduro, preso no último sábado (3) durante uma operação militar conduzida pelo governo dos Estados Unidos.

A manifestação contou com cerca de 300 pessoas, segundo estimativa dos organizadores, e provocou interdições no trânsito em pleno horário de pico, causando lentidão na região central. A Polícia Militar e a Guarda Civil acompanharam o ato durante todo o percurso, sem registro de ocorrências.

Entre os participantes estava a professora Benedita Marques Borges, orientadora educacional, que destacou o caráter pedagógico da mobilização. “Estar aqui é chamar a atenção da sociedade para refletir sobre o que aconteceu e sobre o tipo de país que queremos construir. A democracia se fortalece com a participação das pessoas”, disse.

O professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Fábio Silva Souza, ressaltou que manifestações como essa só são possíveis em regimes democráticos. “Vivemos um momento de avanço de posturas autoritárias no mundo. Este ato mostra que Campo Grande está conectada com outras capitais na defesa da democracia, não só no Brasil, mas também em nível global”, afirmou.

Três anos após os ataques de 8 de janeiro, o episódio segue repercutindo no Judiciário. Em agosto de 2025, o STF condenou mais 119 pessoas envolvidas nos atos antidemocráticos, com penas que chegaram a 17 anos de prisão para réus considerados responsáveis pela invasão e depredação das sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.