Uma das mais importantes maternidades de Campo Grande caiu na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O estabelecimento hospitalar, administrado por uma associação, atendendo tanto a rede privada quanto pública, está sendo alvo de uma série de denúncias protocoladas pelos pacientes que reclamam da qualidade da assistência obstétrica oferecida.
Segundo o órgão fiscalizador, um inquérito civil foi aberto para apurar a morte de um bebê durante o parto, ocorrido em outubro de 2025, sob suspeita de negligência médica e falta de atendimento humanizado. O caso, inicialmente tratado como Notícia de Fato, ganhou novos contornos após a identificação de outros óbitos fetais e neonatais recentes.
Além disso, foram recebidos mais relatos públicos, matérias jornalísticas e até mesmo um dossiê elaborado por famílias que afirmam ter vivenciado situações de violência obstétrica na instituição, responsável por cerca de 60% dos partos realizados no Município, equivalente a 650 nascimentos por mês.
Diante disso, o MPMS requisitou informações detalhadas à Maternidade e à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) sobre os protocolos adotados, notificações aos sistemas oficiais de vigilância e atuação dos comitês de prevenção de mortalidade materna e infantil. Por envolver dados sensíveis de pacientes e familiares, o procedimento tramita de forma reservada.
Também foram solicitados dados ao Conselho Regional de Medicina (CRM/MS), incluindo sindicâncias relacionadas a óbitos e denúncias de violência obstétrica, além da realização de vistoria na unidade. O Ministério da Saúde foi acionado para fornecer parâmetros nacionais sobre taxas de óbitos fetais e neonatais, permitindo comparação com os indicadores locais.
O inquérito tem caráter investigativo e não implica pré-julgamento, mas busca reunir elementos técnicos e jurídicos para avaliar se há falhas estruturais na prestação do serviço e se são necessárias medidas como recomendações, termos de ajustamento de conduta ou eventual ação civil pública.




















