
Quatro em cada dez estudantes de medicina de instituições privadas não atingiram a nota mínima; Ministério da Saúde estuda criação de até 5 mil novas vagas de residência
A residência médica é considerada pelo Ministério da Saúde como o principal caminho para qualificar profissionais recém-formados que não atingiram a nota mínima no Enamed, exame nacional que avalia o desempenho dos estudantes de medicina, conhecido como a “OAB dos Médicos”. O alerta foi feito pelo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, em entrevista exclusiva.
Segundo dados do Enamed divulgados pelo Inep, quatro em cada dez estudantes de medicina de instituições privadas não conseguiram alcançar a proficiência mínima, acertando menos de 60% das 100 questões da prova aplicada no segundo semestre do ano passado. Apesar disso, a legislação atual permite que esses médicos recém-formados exerçam a profissão.
“Por isso, a residência médica é o grande caminho para enfrentar essa questão”, afirmou Proenço, ressaltando a importância do programa como ferramenta de aperfeiçoamento e supervisão prática dos futuros médicos.
O déficit de vagas na residência preocupa o Ministério da Saúde. Em 2023, cerca de 32 mil estudantes concluíram o curso de medicina, mas apenas 16 mil vagas estavam disponíveis para novos médicos em 2024. A falta de oportunidades ajuda a explicar a alta procura pelo Enamed: dos mais de 89 mil inscritos, 39 mil eram concluintes do curso de medicina e outros 49 mil já eram médicos formados buscando acesso às residências.
Para Proenço, a situação reflete anos de desinvestimento e mudanças legislativas. A Lei do Mais Médicos, de 2013, previa que cada egresso teria direito a uma vaga de residência, mas essa regra foi revogada em 2019, com a criação da Lei Médicos pelo Brasil, reduzindo a oferta de vagas. “Muitos cursos, além de apresentarem notas insatisfatórias, oferecem poucas oportunidades de residência para seus próprios egressos”, disse.
O secretário adiantou que o Ministério da Saúde estuda a criação de até 5 mil novas bolsas de residência médica. “O governo já abriu mil vagas em 2024 e outras 3 mil em 2025. Agora, estamos avaliando pelo menos 5 mil novas vagas para reduzir o desequilíbrio”, concluiu Proenço.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também comentou que algumas escolas de medicina podem ter vestibulares suspensos caso apresentem desempenho insatisfatório nos exames, como forma de pressão para melhorar a qualidade da formação.



















