Moradores usam cemitério para abandonar gatos

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Publicado em 20/06/2017 06h27

Moradores usam cemitério para abandonar gatos

No local existem cerca de 100 felinos deixados pelos donos. Animais se dividem em cima de túmulos para fazer refeições levadas por voluntários.

G1 MS

Ver um grupo de gatos passeando entre túmulos chama anteção de qualquer um. Mas a história curiosa começa já do lado de fora do Cemitério Municipal Waldomiro Pontes, em Cassilândia, a 437 quilômetros de Campo Grande.

Quem passa em frente ao local, na avenida da Saudade, consegue ver – em forma de pequenos pontos de várias cores – um grande número de felinos passeando ou dormindo no estacionamento. São animais que foram abandonados ali e transformaram o espaço em moradia.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que não tem um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para fazer o acolhimento e reconheceu o risco à saúde pública. Por outro lado, informou que está investindo em um projeto de castração para evitar que os animais procriem e cobrou apoio dos moradores.

Os gatos, cerca de 100, segundo voluntários, circulam livremente. Dormem nos corredores e não se incomodam em cercar o carrinho que transporta caixões durante cortejos.

Segundo o zelador da capela, que fica ao lado do cemitério, o abandono de felinos é muito comum e antigo.
“Sempre fazem isso aqui. Deixam gatos de todos os tamanhos e vão embora”, contou.

O descaso é confirmado por uma voluntária. “As pessoas soltam eles doentes e pequenos. Muitos morrem porque não conseguem comer a ração”, explicou Rosilda Camargo.

Os animais que vivem hoje no cemitério de Cassilândia se alimentam de ração e restos de comida recolhidos por moradores comovidos com a situação.

Quando Rosilda chega, os gatos a cercam. Compartilham lugar em cima dos túmulos para disputar a comida que nem sempre é suficiente para todos.

“Nos finais de semana eu trago comida aqui. Tem uma ONG que também ajuda durante a semana. Se não fosse essa ajuda eles passariam fome”, desabafou Rosilda.

O secretário municipal de Saúde de Cassilândia, Arthur Barbosa, explicou que dentro de 40 a 60 dias o município deve fechar uma parceria com clínicas particulares da cidade para castrar os animais e evitar o aumento de felinos.

Ainda segundo Barbosa, a Polícia Militar Ambiental (PMA) até pode multar uma pessoa que abandona gatos no cemitério, mas que o trabalho se torna difícil pelo fato da prática de soltura acontecer normalmente durante a noite.

“Dá sim uma questão de saúde pública devido à proliferação. Mas existe o trabalho da vigilância sanitária. A vigilância tem orientado as pessoas. Só que a gente precisa da compreensão da população”, afirmou.

Animais caminham tranquilamente sobre os túmulos (Foto: Dyego Queiro)