MS começa a aplicar imunizante contra bronquiolite em bebês prematuros pelo SUS

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(Foto: André Lima)

Proteção contra o vírus sincicial respiratório teve início em Campo Grande e será ampliada para todo o estado

Mato Grosso do Sul deu início uma nova frente de proteção à primeira infância: o Estado começou a aplicar o imunizante contra o vírus sincicial respiratório (VSR) — principal causador da bronquiolite — em bebês prematuros atendidos pelo SUS. As primeiras doses foram administradas na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, marcando o início da estratégia estadual voltada aos recém-nascidos mais vulneráveis.

A ação é coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) e integra a rede de atenção neonatal, com aplicação direta nas maternidades e distribuição organizada para os municípios do interior. O objetivo é reduzir internações e aliviar a pressão sobre os leitos hospitalares, especialmente durante os períodos de maior circulação do vírus.

Conhecido como nirsevimabe, o imunizante é um anticorpo monoclonal indicado para bebês nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação. Também podem receber a proteção crianças com comorbidades, como cardiopatias congênitas, síndrome de Down e fibrose cística, incluindo aquelas com até 24 meses de idade, conforme critérios definidos pelo Ministério da Saúde. O foco é prevenir infecções graves, como bronquiolite e pneumonia.

Para os bebês prematuros, a proteção ocorre com dose única. Já as crianças com comorbidades recebem duas doses, aplicadas em períodos sazonais distintos, de acordo com a exposição ao vírus. A estratégia busca antecipar a proteção nos meses mais críticos, quando historicamente aumentam os casos da doença.

A incorporação do nirsevimabe à Rede de Imunobiológicos Especiais do SUS representa um avanço importante na saúde neonatal. Segundo a técnica da Coordenação Estadual de Imunização da SES, Maristela Chamorro, a oferta passa a ser contínua. “Bebês prematuros e crianças com comorbidades terão acesso à proteção conforme os critérios do Ministério da Saúde. É um reforço essencial para reduzir casos graves”, afirma.

Antes do início da aplicação, a SES realizou um levantamento técnico sobre nascimentos prematuros e a capacidade de atendimento das maternidades em todo o Estado, para garantir o envio proporcional de doses a cada unidade.

Nos demais municípios, o acesso ao imunizante ocorre por meio do sistema E-Crie, plataforma digital da SES que organiza a solicitação e a distribuição de imunobiológicos especiais para os 79 municípios sul-mato-grossenses. O Ministério da Saúde também autorizou o chamado resgate vacinal para crianças nascidas a partir de agosto de 2025, desde que atendam aos critérios técnicos vigentes.

Na Maternidade Cândido Mariano, a aplicação do imunizante ocorre semanalmente. De acordo com a coordenadora de imunização, Keila Lacerda, as doses são administradas às quintas-feiras nas unidades intermediárias e UTIs neonatais. “É uma grande conquista, porque antes esse imunizante só estava disponível na rede privada”, destaca.

Segundo ela, o Estado enfrentou aumento expressivo de internações por bronquiolite nos últimos anos. “Chegamos a viver uma crise de leitos. A expectativa é que essa estratégia reduza significativamente as hospitalizações”, afirma. Reações leves podem ocorrer, como em outras imunizações, e os bebês permanecem em observação após a aplicação.

A diretora técnica da maternidade, Karina Zucarelli, lembra que a nova estratégia complementa outras formas de proteção. “A vacinação da gestante, a partir da 28ª semana, protege o bebê ainda na gravidez. O nirsevimabe garante proteção direta ao recém-nascido. Essa combinação amplia muito a segurança nos primeiros meses de vida”, explica.

Entre as famílias beneficiadas está a da bebê Melina, que nasceu com 32 semanas e ficou 43 dias internada na UTI Neonatal. A mãe, Paula Rodrigues, diz que a imunização traz alívio. “Minha filha nasceu prematura e passou muito tempo internada. Saber que ela está protegida traz mais tranquilidade para nossa família”, afirma.

Paula também ressalta o impacto social da oferta pelo SUS. “É um imunizante caro. Nem todas as famílias conseguem pagar. Receber essa proteção gratuitamente faz toda a diferença”, completa. Na rede privada, o custo pode variar entre R$ 1.500 e R$ 3.500.

Em Campo Grande, o acesso ao imunizante ocorre mediante contato prévio com a Sesau pelo telefone (67) 99875-3662, para orientações e agendamento. Após o contato, as famílias são encaminhadas para unidades básicas de saúde específicas. As maternidades Santa Casa, Hospital Universitário, Hospital Regional e Cândido Mariano realizam a aplicação apenas em bebês internados. No interior, as orientações devem ser buscadas na unidade de saúde do próprio município.