
Setores de alto crescimento, como TI e fintechs, têm baixa participação feminina e funções vulneráveis concentram maior parte da mão de obra feminina
As transformações tecnológicas e digitais estão remodelando o mercado de trabalho, mas as mulheres continuam sub-representadas nas áreas mais promissoras da economia brasileira. Levantamento da Fiemg mostra que apenas 20,7% das ocupações de alto crescimento no país são ocupadas por mulheres, enquanto os homens representam 79,3% desses postos.
O estudo identifica como “profissões do futuro” cargos ligados a big data, inteligência artificial, machine learning, engenharia em fintech, desenvolvimento de software e gestão de segurança digital. Apesar do potencial de expansão, apenas 0,6% das mulheres no mercado formal estão inseridas nessas funções, ante 1,8% dos homens.
Segundo Juliana Gagliardi, coordenadora da Gerência de Economia da Fiemg, fatores estruturais historicamente limitam a entrada feminina nesses setores. “Como a presença das mulheres em tecnologia sempre foi menor, a oferta de mão de obra feminina para essas ocupações também acaba reduzida”, explica.
Além disso, muitas mulheres estão concentradas em funções administrativas e operacionais, como atendentes de serviços postais, caixas bancários e assistentes administrativos, ocupações com risco de retração acelerada até 2030. Atualmente, 16,8% da força de trabalho feminina formal atua nessas funções, mais que o dobro da proporção observada entre homens.
Gagliardi alerta para a dupla vulnerabilidade feminina: além de sub-representação nas áreas de crescimento, mulheres estão mais expostas à automação e à perda de empregos em funções rotineiras. “Isso pode aumentar a rotatividade, migrar profissionais para ocupações de menor remuneração ou informalidade, ampliando desigualdade de renda”, afirma.
A economista também ressalta que a baixa participação feminina em setores tecnológicos limita o crescimento econômico do país. “Quando metade da população participa pouco dessas áreas, o Brasil reduz sua base de profissionais qualificados e o potencial de inovação das empresas”, analisa.
Para enfrentar o desafio, Gagliardi defende políticas de qualificação e requalificação profissional, com foco em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e transição para funções em expansão. “É preciso não apenas atrair mulheres para áreas tecnológicas, mas também oferecer ferramentas para que aquelas em funções vulneráveis possam migrar e se adaptar às mudanças do mercado”, conclui.

















