Sônia Honorato enfrentou o câncer de mama em 2014 e hoje está curada vivendo uma vida plena e saudável
O mês de outubro é marcado pela campanha de conscientização ao câncer de mama, intitulado como “Outubro Rosa”, muitas são as ações desenvolvidas por pessoas e instituições, tanto públicas como privadas. O foco principal além de alertar a população é também humanizar casos de quem já enfrentou essa doença.

O Enfoque MS entrevistou a servidora pública estadual Sônia Honorato, de 62 anos, mulher de fibra, matriarca de uma família de dois filhos e três netos, Sônia, dona de uma simpatia incomparável, um coração generoso e o sorriso fácil, ela relata com bom humor os momentos vividos durante sua luta contra o câncer de mama.
Sempre muito cuidadosa com a saúde, a servidora relata que mantém exames e idas ao médico em dia. “No fim de 2014 realizei a mamografia de rotina como sempre fazia, nos quais sempre deram sem alterações, tanto é que peguei o resultado e guardei. Tempos depois resolvi dar uma olhada antes de levar para o médico. Tomei um susto daqueles, quando vi que não estava normal”, relembra Sônia que ainda relata ter sido um golpe que lhe fez entrar em pânico, porém, mesmo assim manteve-se otimista, tratou de se encher de bons pensamentos, de que não seria nada sério, que o médico veria e diria não ser grave.
Era março de 2015, em uma manhã ensolarada como a desta sexta-feira (29), que veio a notícia que ninguém quer ouvir, ela estava com um tumor de 2,5 centímetros em seu seio esquerdo. “O médico olhou os exames e me disse, você sabe o que significa isso, né?! Eu disse não! Colocando a mão em meu ombro ele disse é câncer. Foquei em um ponto da sala, pois senti o meu chão sumir, fiquei em choque.”

A notícia foi um golpe, que ainda teve de ser guardado por mais de 30 dias. Naquela época a filha passaria por uma cirurgia delicada, o marido trabalhava fora e o filho não morava na cidade, com muita determinação ela se manteve em silêncio pensando em não desestabilizar a família. O tempo passou, ela seguiu firme trabalhando e agindo normalmente, porém já tratando de realizar exames e dar seguimento aos preparativos pra a cirurgia que lhe aguardava.
Após as coisas se estabilizarem em casa, contou a todos o que estava enfrentando. O choque foi ainda maior, no entanto, a família se uniu em uma fortaleza estando junto a Sônia, se mantendo como a rede de apoio necessária para a superação daquele momento.
A partir dali uma batalha foi travada, aquela que sempre foi cheia de disposição e energia, se viu em muitas vezes abatida devido aos tratamentos, nos quais teve de se submeter ao longo de sua luta. Com o diagnóstico precoce foi possível realizar a cirurgia de retirada total da mama e posteriormente as sessões de quimioterapia.

A cirurgia ocorreu em Julho de 2015, sendo um sucesso, a servidora faz questão de evidenciar a importância do apoio que recebeu da equipe médica responsável por seu caso, como servidora pública estadual, Sônia possui plano de saúde da Cassems, no qual ela não poupa elogios ao lembrar de todo o serviço prestado com excelência. “Graças ao bom trabalho deles pude me sentir segura, bem assistida, despertando em mim ainda mais esperança na vida”, diz com gratidão.
Infelizmente com a cirurgia ainda não viria o final feliz, apesar do alívio de tudo ter corrido bem, após 30 dias foram iniciadas as sessões de quimioterapia. “Foram 4 sessões que me debilitaram muito, vi todo meu cabelo cair, minha força vital se esvair. Me mantive firme, daquilo dependia minha cura.”
Após a quimio veio mais um tratamento invasivo, a radioterapia. “Essa foram 25 sessões, já no fim pensei que não aguentaria, minha pele estava muito queimada, no limite, mas, novamente busquei forças na minha família e em Deus e venci mais uma fase”, relata.
Foram mais cinco anos tomando remédios, que acarretaram em ganho de peso, desencadeando retenção de líquido e inchaço em várias partes do corpo. Apesar de não deixar de dizer que foi um momento de intenso estresse e sofrimento, Sônia relata não ter ficado com sequelas físicas e psicológicas. “Trago a marca de uma vitória em meu seio, a única das sequelas. Não me sinto mutilada, e sim renovada. Depois de muitas mudanças físicas devido ao tratamento, recentemente pude realizar um sonho, uma cirurgia plástica e recuperar um pouco de quem já fui na aparência”.
Como mensagem as muitas que passam o que poderão um dia enfrentar a doença, Sônia diz que o principal é não ter o câncer como uma sentença de morte. “É uma doença que pode sim deixar sequelas dolorosas, mas que, quando enfrentadas junto a uma rede de apoio, como família e uma boa equipe médica, pode ser superada. Vá à luta não se deem por vencidas, existe vida após o câncer de mama”, finaliza.
Câncer de Mama
O que é
É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. Ao contrário do que muitos pensam, o câncer de mama também acomete pessoas do sexo masculino, entretanto, são extremamente raros, representando apenas 1% do total de casos da doença.
Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos.
Existem vários tipos de câncer de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, não.
A maioria dos casos tem bom prognóstico. A estimativa de novos casos é de: 59 mil (2018/2019 – INCA)
Sintomas
O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio de alguns sinais e sintomas. A principal manifestação da doença é o nódulo, fixo e geralmente indolor.
O nódulo está presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher. Outros sinais e sintomas são: pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no bico do peito (mamilo); pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço; e saída de líquido anormal das mamas. Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados, porém podem estar relacionados a doenças benignas da mama.
A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas, que significa conhecer o que é normal em seu corpo e quais as alterações consideradas suspeitas de câncer de mama, é fundamental para a detecção precoce dessa doença.
Diagnóstico
A mamografia é a radiografia das mamas feita por aparelho de Raios-X (mamógrafo). O exame é capaz de mostrar alterações suspeitas antes mesmo de o tumor ser palpável. Entretanto, a confirmação do câncer de mama só é feita pelo exame histopatológico (análise no laboratório de uma pequena parte retirada da lesão por meio de biópsia).
Tratamento
Importantes avanços na abordagem do câncer de mama aconteceram nos últimos anos, principalmente no que diz respeito a cirurgias menos mutilantes, assim como a busca da individualização do tratamento. O tratamento varia de acordo com o estadiamento da doença, suas características biológicas, bem como das condições da paciente (idade, status menopausal, comorbidades e preferências).
O prognóstico do câncer de mama depende da extensão da doença (estadiamento), assim como das características do tumor. Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. Quando há evidências de metástases (doença a distância), o tratamento tem por objetivos principais prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.
As modalidades de tratamento do câncer de mama podem ser divididas em:
Tratamento local: cirurgia e radioterapia (além de reconstrução mamária).
Tratamento sistêmico: quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.
Prevenção
A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis.
De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles considerados modificáveis. Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama.
Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerado um fator protetor.




















