Nelsinho Trad cobra explicações sobre falta de vacinas para bovinos em MS

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Nelsinho Trad pede esclarecimentos ao governo federal sobre desabastecimento nas revendas (Foto: Assessoria)

Senador questiona destino de mais de 14 milhões de doses liberadas pelo Ministério da Agricultura

Mais de 14 milhões de doses liberadas pelo governo federal, prateleiras vazias nas lojas agropecuárias e produtores sem conseguir vacinar o rebanho. O cenário levou o senador Nelsinho Trad a cobrar explicações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) sobre a falta de vacinas contra carbúnculo e clostridioses em Mato Grosso do Sul e outros estados do país.

A manifestação ocorre após o próprio ministério reconhecer oficialmente o desabastecimento dos imunizantes, considerados fundamentais para prevenir doenças graves, de rápida evolução e alta letalidade em bovinos.

Em março, produtores e revendas agropecuárias de Campo Grande já relatavam dificuldades para encontrar a chamada “vacina da mancha”, utilizada na prevenção de doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium. Segundo comerciantes, a escassez se arrastava havia mais de um ano e as poucas doses recebidas não eram suficientes para atender à demanda.

Nesta semana, o Ministério da Agricultura informou ter liberado 14.640.910 doses de vacinas nacionais e importadas entre março e abril deste ano. A pasta também citou previsão do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) de distribuição mensal entre 8 milhões e 10 milhões de doses até dezembro.

Apesar disso, pecuaristas continuam relatando falta do produto nas revendas.

“Se o Ministério fala em milhões de doses liberadas e a indústria fala em milhões de doses por mês, por que o produtor não encontra a vacina na prateleira? Onde está esse produto? Quem está segurando? Quando chega ao campo?”, questionou Nelsinho Trad.

Segundo o senador, será encaminhado um ofício ao Mapa solicitando informações detalhadas sobre o estoque disponível no país, o volume efetivamente liberado para comercialização, empresas notificadas, cronograma de normalização e previsão de abastecimento para Mato Grosso do Sul.

O parlamentar também quer esclarecimentos sobre a possibilidade de haver vacinas retidas nas indústrias enquanto produtores seguem sem acesso aos imunizantes.

“Vacina em depósito não salva rebanho. Se existe dose liberada, ela precisa chegar ao produtor. O pecuarista não pode pagar a conta de uma falha de mercado, de distribuição ou de fiscalização”, afirmou.

O Ministério da Agricultura já havia informado anteriormente que o desabastecimento foi provocado por “decisões mercadológicas” adotadas por fabricantes, que interromperam a produção e comercialização das vacinas entre o fim de 2025 e janeiro de 2026.

A situação preocupa especialmente Mato Grosso do Sul, estado que possui um dos maiores rebanhos bovinos do país. As vacinas são consideradas essenciais para evitar doenças capazes de provocar mortes rápidas nos animais e gerar prejuízos econômicos à pecuária.

“O produtor rural não está pedindo favor. Ele quer comprar a vacina para proteger o rebanho. Se há estoque, tem que chegar à loja. Se não há, o país precisa saber por quê. O que não dá é deixar o campo sem resposta”, completou o senador.