DO MICRO AO PEQUENO

Varejistas da Capital fazem apelo para não morrer

Diferente do que se propaga, principalmente nas redes sociais, a maioria das empresas de Campo Grande são micro e pequenas, conforme levantamento da CDL CG junto ao SPC Brasil

 

03/04/2020 13h30
Com informações da CDL/Assessoria

 
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De acordo com levantamento da CDL CG – Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande junto ao SPC Brasil, maior banco de dados da América Latina, a capital sul-mato-grossense possui hoje aproximadamente 123 mil CNPJs, sendo que a grande maioria destes, 88%, é composta por MEIs, micro e pequenas empresas. São estes empresários que geram empregos e renda, mantendo a economia do município fortalecida.

Hoje, o varejo é responsável pela geração de mais de 320 mil empregos diretos. São pais e mães de família, solteiros, casados, jovens, adultos e até mesmo idosos, que tiram do setor o seu sustento e o da sua família.

O setor vem sofrendo com sucessivas crises econômicas, que têm causado o seu esmagamento e deu fim em suas reservas financeiras. "O hoje se paga com o que se ganhou ontem", resumiu o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Vila, sobre a grave crise pela qual passa o varejo brasileiro. "Não temos lastro, mas temos muitas obrigações financeiras. É taxa disso, daquilo, de lixo, de grande gerador, de iluminação, sem falar nos impostos, nos encargos, o poder público parece que vê no varejo a sua "máquina de fazer dinheiro".

E, agora com essa grave crise de saúde, o setor foi novamente abalado com as decisões unilaterais do poder público, que simplesmente ordenaram o fechamento sem um planejamento financeiro e econômico de socorro aos varejistas.

Adelaido destacou que a entidade tem feito o possível para contribuir e apresentado as urgências do setor para os órgãos competentes. "Temos levado ao prefeito as nossas urgências e com o apoio da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul estamos apresentando nossos pedidos de isenção e prorrogação de prazos de vencimentos ao governador".

O presidente lembrou ainda que ninguém vive de promessas. "Estamos aguardando uma resposta urgente para que o setor sobreviva a mais esta crise. Mas, precisa ser uma resposta efetiva. O dia do pagamento dos funcionários está chegando, o vencimento de aluguel, impostos também e as respostas, o apoio, não chegam. Estamos nos sentindo sozinhos, vivendo de promessas e de acusações infundadas".

Outro sofrimento que vem sendo infligido aos lojistas da capital, é o preconceito. O setor tem sido tratado como milionário. Nas redes sociais se perpetuaram postagens se referindo aos varejistas como milionários que dirigem carrões, quando na verdade, conforme os dados apresentados, a grande maioria mal tem para pagar as despesas.

O presidente reforçou que os varejistas não querem abrir por abrir, mas não tem de onde tirar os recursos, se não for do trabalho, ainda mais sem apoio do poder público, que tem tomado medidas que não surtem efeito prático. Adelaido cita o decreto que suspende por 15 dias o vencimento do IPTU e ISSQN, contado de 23 de março a 6 de abril. No caso do IPTU, o vencimento é dia 10, ou seja, não cai nesta data. Além disso, o decreto estipula que o pagamento seja feito no dia 7 de abril. Isso significa que os impostos deverão ser pagos após o período de fechamento, quando não houve faturamento.

Números

O presidente da CDL enfocou que dos 122.838 CNPJs de Campo Grande, 22.139 são prestadores de serviços e 24.544 são comércio. Deste total, 46. 683 estão distribuindo em: 43.923 são micros, 2.171 são pequenos, 243 são médios e 346 são grandes.

A capital sul-mato-grossense possui ainda 63.423 MEI - Micro Empreendedores Individuais, perfazendo um total de 110.106 CNPJs. E, 12.732 são atividades não relacionadas com o varejo, como por exemplo, atacado, representação comercial e outros.

Para Adelaido, todos os empresários do setor estão dando suas contribuições. "O prefeito e o governador precisam olhar para esse setor que movimenta a economia da cidade, gera emprego e renda, criando medidas que auxilie para que o comércio de Campo Grande, que vem enfrentando crises econômicas, obras na região central e pandemia não morra após mais este período difícil".

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