Nova “cara” das mães muda consumo e aquece comércio em Campo Grande

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Estudo aponta que 71% dos consumidores estão endividados na Capital (Foto: Reprodução)

Gastos migram para moda e estética, com expectativa de R$ 150 milhões em vendas

Com a chegada do Dia das Mães, o comércio de Campo Grande já vive o período mais estratégico do primeiro semestre — e a expectativa é de aumento nas vendas, mas com mudanças importantes no perfil do consumidor. Pesquisa realizada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) Campo Grande em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil aponta crescimento de 7,5% nas vendas em relação ao ano passado, com movimentação estimada em cerca de R$ 150 milhões na economia local. O levantamento ouviu 280 consumidores entre os dias 10 e 15 de abril, em todas as regiões da capital.

Apesar do cenário positivo, os dados revelam transformações no comportamento de consumo. Um dos pontos que mais chamam atenção é o surgimento da chamada “nova mãe”, com foco maior em saúde e autocuidado. Segundo a pesquisa, 32% das mães estão realizando algum tipo de tratamento de saúde ou obesidade, sendo que 24% utilizam medicamentos.

Essa mudança tem impactado diretamente o destino dos gastos. Setores tradicionalmente fortes, como restaurantes de grande volume, perdem espaço para segmentos como moda, estética e perfumaria, impulsionados pela renovação de hábitos e até de vestuário.

De acordo com a análise da CDL, o consumidor busca agora experiências mais personalizadas e produtos ligados à autoestima, o que exige adaptação por parte dos lojistas.

Ao mesmo tempo, o cenário financeiro acende um alerta. O estudo indica que 71% da população economicamente ativa de Campo Grande está endividada, o que reduz a margem de consumo e exige mais cautela nas vendas.

Diante disso, a recomendação para o comércio é reforçar estratégias seguras de pagamento, evitando riscos de inadimplência. A preferência dos consumidores tem se concentrado em parcelamentos curtos, entre três e quatro vezes, além do crescimento do uso do Pix, muitas vezes incentivado por descontos.

Outro dado relevante é o ticket médio, que deve ficar entre R$ 250 e R$ 300 por presente, com destaque para itens de vestuário — especialmente ligados à mudança de manequim —, além de produtos de beleza e experiências gastronômicas mais sofisticadas e em menor volume.

A avaliação do setor é que o desempenho no Dia das Mães em 2026 dependerá da capacidade do comércio de entender esse novo perfil de consumo e equilibrar o aumento das vendas com a segurança financeira.