
MED 2.0 permite rastrear o caminho do dinheiro, bloquear valores em contas intermediárias e devolver recursos em até 11 dias
Uma nova camada de proteção passa a valer para quem usa o Pix no dia a dia. A partir desta segunda-feira (2), todos os bancos são obrigados a adotar o MED 2.0, mecanismo criado pelo Banco Central para reforçar o combate a fraudes, golpes e transferências indevidas feitas pelo sistema de pagamentos instantâneos.
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) foi ampliado e agora permite rastrear o caminho do dinheiro por várias contas, e não apenas pela primeira conta que recebeu o valor. Com isso, as instituições financeiras podem bloquear recursos em contas intermediárias e devolver o dinheiro à vítima em até 11 dias após a contestação.
Segundo o Banco Central, a mudança corrige uma das principais falhas do modelo anterior. Antes, o bloqueio era feito somente na conta inicial do recebedor. Como golpistas costumavam transferir rapidamente os valores para outras contas, muitas vezes já não havia saldo quando o cliente acionava o banco.
Com a nova versão, o rastreamento passa a ocorrer em cadeia, aumentando as chances de recuperação do dinheiro. Para isso, o cliente deve agir rapidamente, acionando o banco assim que perceber a fraude, golpe ou cobrança indevida.
A contestação é feita diretamente no aplicativo do banco, por meio de um botão específico, sem necessidade de falar com atendentes. Após o acionamento, os bancos envolvidos têm até sete dias para analisar o caso. Se confirmada a fraude, a devolução do valor ocorre em até 11 dias.
A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) informou que, por determinação regulatória, todos os participantes do Pix são obrigados a seguir as regras do MED 2.0.
O mecanismo vale apenas para casos de fraude, golpe ou coerção. Situações como desacordo comercial, arrependimento da compra ou erro de digitação da chave Pix não se enquadram nas regras de devolução automática.
De acordo com o Banco Central, documentos como boletim de ocorrência, prints de conversas ou comprovantes só poderão ser exigidos após a abertura do MED, e podem ser anexados pelo próprio aplicativo para auxiliar na análise.
Desde a criação do Pix, o sistema já acumulou mais de R$ 1,5 bilhão em devoluções relacionadas a fraudes, golpes, erros ou coerção. Em 2024, foram restituídos R$ 561,5 milhões, enquanto, apenas nos primeiros sete meses de 2025, o valor devolvido chegou a R$ 377,4 milhões.
O Banco Central destaca que a ampliação do MED faz parte do esforço contínuo para tornar o Pix mais seguro, sem comprometer a agilidade do sistema, que hoje é o meio de pagamento mais usado no país.



















