Novo regulamento da Copa do Brasil pode tirar jogos de Campo Grande em 2026

24
Estádio das Moreninhas no Parque Jacques da Luz em Campo Grande (Foto: Divulgação)

Exigência mínima de público impede uso de estádios da Capital e força clubes de MS a buscar outras cidades

A Copa do Brasil de 2026 pode começar longe da Capital sul-mato-grossense. Antes mesmo do sorteio dos confrontos, uma regra já muda o jogo: o novo regulamento da CBF elevou as exigências de capacidade mínima dos estádios e, com isso, praticamente tira Campo Grande do mapa da competição nacional.

O documento publicado nesta semana pela Confederação Brasileira de Futebol estabelece que, da 1ª à 4ª fase, os estádios precisam ter capacidade mínima de 4 mil torcedores sentados, sem a possibilidade de uso de arquibancadas temporárias ou provisórias. A mudança afeta diretamente os três representantes de Mato Grosso do Sul no torneio: Operário-MS, Pantanal e Ivinhema.

Pelos laudos válidos para 2026, o Estádio Jacques da Luz, nas Moreninhas, único autorizado para partidas profissionais em Campo Grande, tem capacidade liberada para até 3.500 espectadores — número abaixo do exigido pela CBF. Em finais recentes do Estadual, o local recebeu estruturas temporárias para ampliar o público, mas esse tipo de solução é expressamente proibido no regulamento da Copa do Brasil.

No Estado, apenas dois estádios atendem atualmente à exigência mínima de 4 mil lugares e possuem laudos do Corpo de Bombeiros em dia: o Estádio Ninho da Águia, em Rio Brilhante, com capacidade para 5 mil torcedores, e o Estádio Douradão, em Dourados. No entanto, o Douradão enfrenta limitações por não contar com sistema de iluminação, o que restringe partidas ao período diurno — embora a CBF recomende iluminação adequada para jogos noturnos e transmissões.

Ivinhema e Pantanal entram na competição já na primeira fase e enfrentarão Ji-Paraná-RO ou Independente-AP, com mando de campo definido por sorteio. Caso os jogos sejam em Mato Grosso do Sul, a tendência é que aconteçam fora da Capital. A diretoria do Ivinhema confirmou que indicou o Ninho da Águia como opção, enquanto o Pantanal também aguarda o sorteio, mas já admite atuar em Rio Brilhante se tiver o mando.

Já o Operário-MS começa a disputa diretamente na segunda fase. Em nota, o clube informou que fará uma consulta oficial à CBF para avaliar a possibilidade de ampliação da capacidade, mas reforçou a intenção de mandar seus jogos em Campo Grande. “Nossa intenção é fazer de tudo para jogar ao lado da nossa torcida”, destacou a diretoria.

O cenário fica ainda mais restritivo a partir da 5ª fase, quando a capacidade mínima sobe para 10 mil torcedores. Atualmente, nenhum estádio de Mato Grosso do Sul possui liberação para esse público em competições profissionais. A exigência aumenta para 15 mil lugares nas semifinais e na final.

A principal alternativa para a Capital seria o Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o Morenão, interditado desde 2022. O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou, no fim de 2025, que há expectativa de retomada do local em 2026, mas até o momento o estádio segue fora de operação.

Enquanto não houver adequações estruturais ou a reabertura do Morenão, Campo Grande deve seguir fora da rota da Copa do Brasil, obrigando clubes e torcedores a se deslocarem para outras cidades do Estado para acompanhar as partidas do torneio nacional.