Existem instantes na vida em que a fragilidade humana se impõe de forma avassaladora. Para Diógenes, beneficiário da Cassems há tanto tempo que sua própria trajetória se confunde com a evolução da instituição, esse momento chegou sob o peso de uma tosse persistente que já durava nove dias. O cenário era o período pós-pandêmico de 2021, um tempo em que o mundo ainda tateava o medo e a incerteza.
Ao buscar ajuda no Hospital Cassems Campo Grande (HCCG), o diagnóstico foi imediato e o impacto emocional, profundo. A frase dita pela equipe médica — “O senhor não volta para casa hoje” — marcou o início de uma das batalhas mais significativas da sua vida. O que se seguiu, porém, não foi apenas uma luta contra um vírus; foi a demonstração prática de como uma rede de saúde sólida e preparada pode ser o alicerce necessário para que o paciente não apenas sobreviva, mas floresça.
Em 2021, enquanto o sistema de saúde global enfrentava o colapso e a escassez de respiradores, a Cassems já havia consolidado uma infraestrutura capaz de oferecer alternativas menos agressivas e mais eficazes. Foi ali que Diógenes encontrou seu maior aliado tecnológico: a Ventilação Não Invasiva (VNI).
Diferente da intubação, que é um processo invasivo e de recuperação lenta, a VNI utiliza uma máscara de vedação total para auxiliar a entrada de oxigênio nos pulmões sob pressão, preservando a consciência e a autonomia do paciente. Para Diógenes, essa escolha técnica foi o divisor de águas. “O tratamento com a VNI foi a melhor coisa que me aconteceu; foi o que impediu a minha intubação”, relembra o beneficiário, com a emoção de quem sabe o valor de cada respiração.
Os “Anjos Laranjinhas” e o poder da multidisciplinaridade
Contudo, a tecnologia, por mais avançada que seja, é apenas uma ferramenta. A verdadeira alma da recuperação de Diógenes estava nas mãos de quem operava essas máquinas. Ele recorda com um carinho quase familiar dos fisioterapeutas, apelidados carinhosamente de “laranjinhas” devido à cor vibrante de seus uniformes. Eles não eram apenas técnicos; eram os guardiões de seu fôlego, incentivando cada pequeno esforço pulmonar.
Andrea Riccó, coordenadora de fisioterapia do HCCG, explica que o trabalho ia muito além dos protocolos. “Era uma situação desafiadora, e buscávamos tratar cada paciente com o máximo de carinho e dedicação” , relembra ao garantir que Diógenes não era apenas um número em um leito; era alguém que precisava sentir que não estava sozinho naquela luta.
A integração entre as especialidades foi o que garantiu a segurança do paciente. Sob a supervisão da Dra. Ana Carolina Alvarenga, coordenadora geral da UTI, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas formaram uma verdadeira rede de proteção. Dra. Ana destaca que a frase “O senhor fique calmo, eu estou aqui para isso, vai dar tudo certo”, repetida incansavelmente nos corredores, era parte do tratamento tanto quanto os medicamentos. O sucesso do caso do Diógenes é o reflexo da maturidade institucional da Cassems. A sintonia fina entre a enfermagem, a fisioterapia e a medicina evitou medidas invasivas desnecessárias e acelerou o retorno de Diógenes ao convívio da família novamente.
Cinco anos após o episódio crítico e após um ano inteiro de acompanhamento pós-tratamento, suporte essencial para garantir que não houvesse sequelas, Diógenes hoje percorre os mesmos corredores do hospital com um semblante transformado. O medo deu lugar à gratidão.
Ao seu lado, a esposa Elisângela recorda a angústia dos dias de internação, mas ressalta o alívio de saber que estavam amparados por uma instituição que “não solta a mão” de seus beneficiários nos momentos de maior vulnerabilidade.
Ao completar 25 anos de história, a Cassems reafirma sua missão através do exemplo de Diógenes. A celebração deste marco vai além da inauguração de novos prédios ou da aquisição de robótica cirúrgica; ela celebra a construção de um legado de cuidado.
Para Diógenes, a gratidão é o sentimento: “Eu tenho uma gratidão imensa por todo o trabalho de todos vocês”. Sua história agora faz parte do alicerce da Cassems, provando que, para sustentar a vida por mais 25 anos, o segredo continuará sendo a união entre a ciência de ponta e o olhar atento às pessoas.




















